O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Com a publicação da saudação do Dr. Luís Raposo aos Amigos do MNA, do artigo do jornal Publico e da notícia da Antena 1, todos abaixo transcritos, chega ao fim a missão deste blogue independente,
feito por alguns amigos do MNA.

A luta travada nos últimos anos em defesa do MNA, impedindo a sua transferência para a Fábrica da Cordoaria Nacional, foi coroada de êxito.

Ao Dr. Luís Raposo desejamos as maiores venturas na continuação da sua carreira profissional.

Se um dia o MNA voltar a estar em perigo, regressaremos,

porque por agora apenas hibernamos.



segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Lisboa só estará a salvo de cheias em 2021

Para quem ainda tivesse dúvidas, eis aqui a resposta oficial da CML: as partes ribeirinhas de Lisboa só estarão razoavelmente a salvo de inundações em 2021. A Junqueira e mais especificamente o vale do rio Seco, sobre o qual se situa a Cordoaria Nacional, é uma das zonas mais críticas, ao lado da Baixa e do vale de Alcântara.



Lisboa só estará a salvo de cheias em 2021


PUBLICO, 27.12.2010 - 13:58 Por Carlos Filipe

Município admite não ter capacidade para executar o Plano Geral de Drenagem da cidade. Solução passa pela EPAL.
As zonas baixas de Lisboa continuarão à mercê de cheias e inundações, como as que ocorreram no final de Outubro último e em Fevereiro de 2008, em casos de extrema e rápida precipitação, enquanto não estiver executado o Plano de Drenagem da cidade. A autarquia prevê a conclusão em 2021, mas diz não estar em condições de suportar os estimados 160 milhões de euros. A solução passa pela transferência para a Empresa Portuguesa das Águas Livres (EPAL) do serviço e receitas da rede de saneamento, que executará as obras.
O plano de drenagem foi adjudicado ao consórcio Chiron Engidro/Hidra, em Fevereiro de 2006, no mandato de Carmona Rodrigues, mas foi concluído e aprovado em Março de 2008, já com o socialista António Costa à frente da autarquia. Desde então nenhum outro passo foi dado para o melhoramento do arcaico e degradado sistema de colectores municipais de drenagem de águas pluviais.
O grupo municipal do PSD recorda isso mesmo e questiona o actual executivo pelo que tem feito para evitar novas inundações em Lisboa, defendendo que deve ser dada sequência urgente ao Plano de Drenagem. "[No subsolo] não são obras com visibilidade, mas nem por isso deveriam deixar de ser", lê-se na página da Internet deste grupo municipal. Também o PCP diz desconhecer os contornos do negócio com a EPAL, que passa pela venda das infra-estruturas municipais de saneamento à empresa do universo da Águas de Portugal por 100 milhões de euros.
Fernando Nunes da Silva, vereador das Obras Municipais, admitiu ao PÚBLICO que a câmara "não tem actualmente capacidade financeira para desenvolver o Plano de Drenagem". As verbas inscritas nas Grandes Opções do Plano (2011-2014) para a execução daquela empreitada - 6,9 milhões em 2012 e 11,4 e 19,7 milhões, respectivamente, para os dois anos seguintes - "tinham sido decididas antes do princípio de negócio com a EPAL".
"É um trabalho para dez anos, mas, na sequência deste acordo, no princípio do ano, a transferência de toda a rede de colectores domésticos permitirá à EPAL fechar o ciclo da água na rede, garantindo a sua total reciclagem e reaproveitamento. Em contrapartida, aquela empresa receberá as taxas de saneamento", explicou o vereador. A cobrança das referidas taxas, segundo a previsão da receita camarária, ascenderá a 26,265 milhões de euros em 2011.

Apenas paliativos
Poucos dias depois da mais recente inundação, que afectou parte de Lisboa, em particular a Baixa, foram realizados trabalhos no interceptor de esgotos no Terreiro do Paço, que ainda aguarda a ligação à Estação de Tratamento de Águas Residuais de Alcântara. Também a Rua de S. José, das mais afectadas pela inundação de Outubro, tem sido alvo de intervenção camarária, mas para reposição do pavimento danificado. "Assim que deixar de chover vamos reparar o colector que passa sob a rua. Não vai ser preciso voltar a levantá-la, pois a reparação pode ser feita pelo interior do mesmo, que será forrado onde está danificado", precisou Nunes da Silva.
Mas, enquanto a intervenção de fundo não for feita, Lisboa continuará sujeita aos caprichos meteorológicos e a ter que reparar os danos provocados pelo excesso de água. O vereador recorda que devido a roturas do velho sistema de condutas, pisos de ruas houve que abateram, como foram os casos da Angelina Vidal e da Avenida de Berna.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Entrevista da Ministra da Cultura no JORNAL DE LETRAS


Será optimismo nosso ou a Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, tem agora do dossiê da pretendida transferência do Museu Nacional de Arqueologia para a Cordoaria Nacional uma perspectiva mais ponderada do que há meses atrás ? O futuro, que se antevê próximo, o dirá.


NOVOS MUSEUS

E os museus?
Abrimos finalmente o Museu de Arte Popular, embora continuem algumas intervenções na fachada. Está em curso todo o trabalho científico de conteúdos do Museu de Arqueologia, tendo em vista a sua transferência para a Cordoaria.

Que tem causado muita polémica.
É verdade. Mas as polémicas fazem parte da atividade governativa. Sempre que há medidas novas, há posicionamentos diferentes. Entendo-o como o pleno exercício da democracia. O MC tem ouvido atentamente todas as exposições sobre os vários assuntos que têm gerado polémica e decidido sempre em conformidade com uma análise muito séria e conscienciosa de todas as opiniões, mesmo as contrárias. Não acredito numa política feita contra as pessoas e as instituições. Mas há que tomar decisões em nome do interesse público. As comissões científicas estão a trabalhar no sentido de analisar as intervenções técnicas necessárias para essa transferência do Museu de Arqueologia, que não ocorrerá antes de 2012.

E o Museu dos Descobrimentos?
Ou das Descobertas. O nome ainda não está fechado. É uma parceria que fazemos com a Marinha, o que alarga o próprio espetro de intervenção e de financiamento. Será uma celebração da grande epopeia dos portugueses no mundo e que foi feita através do mar e da Marinha. Daí que seja uma parceria mais que oportuna. Estão a decorrer os trabalhos de preparação dos conteúdos desse projeto. Também irão decorrer no próximo ano os trabalhos de reconversão do Convento de S. Bento de Castris, em Évora, para acolher o Museu Nacional da Música e, espero-o, o arquivo sonoro. É um projeto que o governo acalenta...

“Jornal de Letras”, 15 a 28 de Dezembro de 2010