O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Após dezasseis anos na direcção do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo não foi reconduzido em mais um mandato, sem quaisquer explicações. Não podemos deixar de ligar esta decisão à luta intensa travada para impedir a transferência do MNA para a Fábrica da Cordoaria Nacional, projecto do Estado Novo recuperado durante o último Governo de José Sócrates.

Por isso este blogue passa agora a servir outro objectivo, o da denúncia da infâmia contida na não recondução do actual director do MNA e sobretudo o da reflexão acerca do que quer o País afinal dos seus museus, arquivos, bibliotecas e academias . Podem criaturas menores, pela calada, acoitadas em redes de cumplicidades subterrâneas, pôr e dispor das mais perenes instituições nacionais ?

Junte-se a nós nesta acção de cidadania. Aqui registaremos todas as opiniões, reflexões ou meros comentários que entendam fazer-nos chegar ou possamos recolher na imprensa.


Envie os seus contributos para gdamna@gmail.com

Última Hora: aparentemente, o Dr. Luís Raposo foi novamente reconduzido nas suas funções por despacho do SEC, Francisco José Viegas. Aguardaremos a confirmação e novos desenvolvimentos quanto a este aspecto e quanto ao abandono da transferência do MNA para a Cordoaria Nacional, antes de darmos por concluída a missão cívica deste blogue.

Quinta-feira, 3 de Março de 2011

Elísio Summavielle agrava a síndrome do vendedor de automóveis usados

Após meses de silêncio e quando pensávamos que a ideia da transferência do MNA para a Cordoaria Nacional estaria já esquecida, ou pelo menos adiada para as calendas solsticiais de Inverno, eis que de novo o SEC dá mostras de que lhe não passou, e antes se agravou, a síndrome de vendedor de carros em segunda mão, que já aqui lhe tínhamos diagnosticado.

Segundo relatam os jornais (veja-se o recorte abaixo), ele terá ontem dito à Comissão de Cultura da Assembleia da República que a comissão técnica criada para acompanhar o processo fez uma avaliação que concluiu pelas boas condições da estrutura edificada, isto porque "apesar do edifício ter mais de 250 anos, e de ter passado por um forte terramoto, as paredes não apresentam uma única fissura". Disse ainda que “foram feitas obras de drenagem por baixo do edifício antes de tornar a zona estanque.”

Lê-se e não se acredita, onde chegou o despudor.

Então o senhor Summavielle não sabe que o edifício da Cordoaria Nacional tem sido ao longo da sua existência objecto de obras de reparação e conservação, algumas profundas e bem recentes, com reposição de estuques e argamassas, pintura, etc. ? Bem conhecemos a cantiga do vendedor de automóveis em segunda mão sem escrúpulos quando nos quer impingir um chaço: “veja bem, nem um risco”…. Mesmo que por baixo de uma pintura superficial exista corrosão activa.

Já não chega e nunca chegou em assuntos sérios a palavra de um qualquer Summavielle. Se o tal estudo existe, disponibilize-o imediatamente.

Mas duvidamos muito que exista, porque também não sabemos a que “forte terramoto” se referirá este senhor. Ou estará a querer confundir os incautos, dando-lhes a entender que foi o de 1755, quando a actual Cordoaria Nacional foi construída depois dessa catástrofe e precisamente no local onde antes tudo o que existia tinha sido arrasado, ou então que terramoto será ?

Finalmente, a água parece ser uma obsessão do senhor Summavielle que facilmente se afunda. Lá voltou ele a dizer que já foram feitas as obras de drenagem que colocam a Cordoaria Nacional ao abrigo de inundações. Foram mesmo ? Quando ? Depois das últimas pequenas cheias do rio Seco que obrigaram a encerrar por um dia a exposição “Viva a República !”, na Cordoaria Nacional ? Claro que não.

Por infelicidade dos Summavielles deste mundo, até parece que S. Pedro esteve atento. Aquilo que agora se fez foi ligar os efluentes urbanos do rio Seco ao colector transversal no Tejo. E logo que estas obras terminaram, eis que um novo período de chuva intensa, mas curto, deu origem às cheias acima referidas ! É que os perigos de cheia na Junqueira não resultam de esgotos urbanos, mas de picos de precipitação na ampla bacia do rio Seco, que se estende desde Monsanto até ao Tejo.

Senhor Summavielle: tenha decoro.

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