O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Com a publicação da saudação do Dr. Luís Raposo aos Amigos do MNA, do artigo do jornal Publico e da notícia da Antena 1, todos abaixo transcritos, chega ao fim a missão deste blogue independente,
feito por alguns amigos do MNA.

A luta travada nos últimos anos em defesa do MNA, impedindo a sua transferência para a Fábrica da Cordoaria Nacional, foi coroada de êxito.

Ao Dr. Luís Raposo desejamos as maiores venturas na continuação da sua carreira profissional.

Se um dia o MNA voltar a estar em perigo, regressaremos,

porque por agora apenas hibernamos.



domingo, 29 de julho de 2012

Luís Raposo: saio "aliviado" e "com o coração noutros projetos"

video
Antena 1, Jornal das 13h, 29 de Julho de 2012

Elísio Summavielle afasta Luís Raposo da direcção do Museu de Arqueologia

Por Luís Miguel Queirós in Público

António Carvalho, director do Departamento Cultural da Câmara de Cascais, assume o cargo até ser lançado novo concurso.


Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia (MNA) há 16 anos, foi substituído no cargo por António Carvalho, até agora responsável do Departamento de Cultura da Câmara de Cascais, que desempenhará funções interinamente até que o novo director da instituição seja nomeado por concurso. A decisão foi tomada pelo director-geral do Património Cultural, Elísio Summavielle, que optou por não seguir a prática habitual de nomear o director em funções para assegurar este período de transição.

Raposo já fora afastado do cargo em Janeiro, por despacho do director do Instituto dos Museus e Conservação (IMC), João Brigola, que decidiu não o reconduzir, mas o arqueólogo recorreu da decisão, que viria a ser anulada pelo secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas. Com a fusão do IMC e do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) na Direcção-Geral do Património Cultural, cessaram os mandatos dos directores de museus dependentes do extinto IMC. Foi neste novo contexto que Summavielle decidiu afastar já Luís Raposo, substituindo-o por António Carvalho, um historiador com formação em Arqueologia e uma pós-graduação em Ciências Documentais.

Em carta endereçada aos Amigos do MNA, divulgada na Internet, Raposo informa: "Entendeu o director-geral, Elísio Summavielle, não me nomear para continuar a assegurar, em regime de substituição e por mais alguns meses, as funções que venho desempenhando há mais de década e meia" no MNA. E acrescenta: "Está no seu direito, terá as suas razões, que aos Amigos do MNA serão facilmente perceptíveis, mas que, pelo meu lado, não quero comentar, nesta circunstância".

Uma reserva que manteve quando contactado pelo PÚBLICO, afirmando apenas que espera que o seu sucessor faça "um bom mandato". Na sua carta de despedida, não nomeia António Carvalho, mas deseja-lhe sorte "nas circunstâncias difíceis que vai enfrentar, com uma direcção a prazo curto e baseada mais em confiança política ou pessoal do que em visão estratégica e competência profissional, avaliadas publicamente em concurso".

Conhecido pela frontalidade com que costuma defender publicamente as suas posições, Raposo foi tendo, enquanto director do MNA, situações de atrito com sucessivas tutelas. No último Governo de José Sócrates, criticou duramente a projectada transferência do MNA para a Cordoaria Nacional. Elísio Summavielle era então, recorde-se, secretário de Estado da Cultura da ministra socialista Gabriela Canavilhas.


O arqueólogo que chumbou Relvas
Arqueólogo, professor, director, até há alguns dias, do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo é ainda presidente eleito do ICOM (Conselho Internacional de Museus) em Portugal, e representante do sector dos museus no Conselho Nacional de Cultura. Mas há uma alínea do seu extenso curriculum vitae que nem o próprio recordava: a ele deve Miguel Relvas o chumbo que levou na disciplina de Arqueologia, a única que o actual ministro frequentou na sua episódica passagem pelo curso de História da Universidade Lusíada. "Já não me lembrava", diz Raposo, "mas, quando me falaram nisso, fui ver os meus papéis e, de facto, é verdade".

Aos Amigos do Museu Nacional de Arqueologia,


Cumpriu-se ontem o último dia do meu mandato na direcção do MNA.

Hoje entra em vigor a Portaria que define a orgânica da nova Direcção-Geral do Património Cultural e, por força da mesma, todos os lugares de direcção (de museus e de outros serviços dos extintos IMC e IGESPAR) cessam, devendo ser nomeados novos dirigentes, em regime de substituição, até que haja concursos para todos esses lugares.

A norma habitual, que penso dever ser também aqui seguida, é a de nomear nesse regime de substituição, a prazo, os dirigentes que cessam funções.

Mas no meu caso (não sei há mais algum idêntico) entendeu o Director-Geral, Elísio Summavielle, não me nomear para continuar a assegurar, em regime de substituição e por mais alguns meses, as funções que venho desempenhando há mais de década e meia no Museu Nacional de Arqueologia. Está no seu direito, terá as suas razões, que aos Amigos do MNA serão facilmente perceptíveis, mas que, pelo meu lado, não quero comentar, nesta circunstância.

Apenas desejo boa sorte ao meu substituto, que já me foi informado quem será e do qual sou amigo. Boa sorte nas circunstâncias difíceis que vai enfrentar, com uma direcção a prazo curto e baseada mais em confiança política ou pessoal do que em visão estratégica e competência profissional, avaliadas publicamente em concurso.

Por feliz coincidência, foi ontem também que começou a ser divulgado o Boletim nº 15 do GAMNA, com o programa de actividades para 2012/2013. É caso para dizer que cumpri até ao último dia o meu grato dever para com os Amigos do MNA, a quem agradeço toda a generosidade com que me trataram, e trataram o Museu, desde que em 1999 o GAMNA foi formalmente criado.

Saudações muito amigas do

Luís Raposo
25 de Julho de 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Museu Nacional de Arqueologia. Percursos e desafios de uma casa centenária nas construções oitocentistas dos Jerónimos - um livro do Dr. Luís Raposo, uma memória para o futuro

Museu Nacional de Arqueologia. Percursos e desafios de uma casa centenária nas construções oitocentistas dos Jerónimos é o título de um livro da autoria do Dr. Luís Raposo, editado pelo GAMNA, onde se oferece uma narrativa cronológica de momentos significativos da história do Museu, remontando aos antecedentes da primeira metade do Século XIX, quando se procedeu à laicização do Mosteiro dos Jerónimos. São referidas as razões originais que levaram a instalar o MNA neste espaço monumental, bem como as sucessivas tentativas para o afastar do mesmo, desde o período do Estado Novo, há cerca de meio século, quando pela primeira vez a hipótese de transferência para a Cordoaria Nacional foi colocada e logo abandonada. É dado especial relevo aos episódios dos últimos anos sobre esta matéria, terminando a narrativa no livro em Abril de 2012, quando o actual director foi de novo reconduzido no cargo, depois de tentativa gorada para o seu afastamento.

Um livro muito bem ilustrado e documentado, que fica como memória para o futuro. Pedidos de envio podem ser feitos para o GAMNA: mnarq.gamna@imc-ip.pt



quarta-feira, 16 de maio de 2012

"Faz falta um museu dedicado às origens dos portugueses" - diz Elísio Summavielle

Reproduzimos notícia de hoje da LUSA, segundo o DN, acompanhada sugestivamente por imagem de Aljubarrota ou algo idêntico, em que Elísio Summaviella o anterior Secretário de Estado da Cultura do Governo Sócrates e futuro Direto-Geral do Património Cultural do Governo Passos Coelho, diz que para os Jerónimos até poderia ir o que já lá está desde o início, um museu das "origens dos portugueses". Terá mudado de opinião relativamente ao Museu dos Descobrimentos ? Ou o "museu das origens" que agora defende ser criado é apenas mais uma forma de pretender diminuir o MNA - o único museu com colecções capazes de contar as origens etno-arqueológicas portuguesas - assim lhe dêem condições para o efeito ?



O diretor-geral do Património Cultural (DGPC), Elísio Summavielle, defendeu hoje a criação, em Lisboa, de um museu "dedicado às origens dos portugueses, com menos espólio e mais comunicação".


Numa entrevista à agência Lusa a propósito do Dia Internacional dos Museus, que se celebra a 18 de maio, sexta-feira, o responsável considerou que "a falta de um museu que explique quem são os portugueses - as suas origens - é uma lacuna".

"Não falo num museu sobre a língua portuguesa, como existe no Brasil, mas um museu sobre a portugalidade", que pudesse ficar instalado no Mosteiro dos Jerónimos "ou noutro espaço em Lisboa, como a Praça do Comércio".

Sobre o projeto da anterior tutela para transferir o Museu Nacional de Arqueologia do Mosteiro dos Jerónimos para o edifício da Cordoaria, Elísio Summavielle indicou que "está suspenso, devido aos atuais constrangimentos financeiros".

No quadro desse projeto, foram feitos estudos sobre o edifício da Cordoaria Nacional, na avenida da Índia, "que indicaram uma solidez estrutural adequada, mas, neste momento, não se podem gastar 15 milhões de euros para adaptar o espaço ao museu e transferir o espólio de arqueologia".

O projeto envolvia também o Museu de Marinha, instalado nos Jerónimos, mas Elísio Summavielle considera que poderiam ser envolvidas outras tutelas, como a do Turismo.

Sobre outros projetos em curso, reiterou que o novo Museu Nacional dos Coches, um projeto assinado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, "deverá abrir no final de 2013, princípio de 2014".

Quanto ao Museu da Música - como já foi anunciado pelo secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas - deverá ir para Évora, para o Convento de São Bento de Castris, embora a falta de verbas venha a atrasar a sua concretização.

"O espólio do Museu da Música é muito importante e ali, num edifício histórico, terá muito espaço, até para realizar ateliês e 'workshops'", sublinhou o responsável, acrescentando que, quando houver verbas disponíveis, terá condições "para ser um museu exemplar".

Neste momento, o convento está a ser alvo de obras de recuperação, nomeadamente nos telhados.

No âmbito de um acordo com o Metropolitano de Lisboa, o Museu da Música manterá as instalações na estação do Alto dos Moinhos até ao final de 2013, indicou o responsável da DGPC.

Com a aprovação da nova orgânica da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), que tutela 28 museus e cinco palácios nacionais, passa a estar integrado - tal como o IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico), na nova estrutura da DGPC.

De acordo com a nova orgânica, as Direções Regionais de Cultura do Norte, Centro, Alentejo e Algarve vão passar a gerir museus e palácios da rede nacional que estão na sua área geográfica.

O Museu do Abade de Baçal, o Museu Alberto de Sampaio, o Paço dos Duques, o Museu dos Biscainhos, o Museu D. Diogo de Sousa, o Museu de Lamego, o Museu de Etnologia do Porto, o Museu da Terra de Miranda, o Museu de Aveiro, o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, o Museu da Guarda, o Museu da Cerâmica, o Museu José Malhoa, o Museu Etnográfico e Etnológico Dr. Joaquim Manso e o Museu de Évora vão passar para a competência das respetivas Direções Regionais de Cultura.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O MNA passa a ser tutelado pela Direçao Geral do Património Cultural

Segundo informa o jornal Público o Conselho de Ministros aprovou a orgânica de uma Direção Geral do Património Cultural que vai passar a tutelar os Museus Nacionais, entre os quais o MNA. A notícia é acompanhada por imagem, aqui reproduzida, que vale mais do que mil palavras.


Ao que parece, o Governo dirigido por Passos Coelho entendeu fazer seu o projecto político do Governo dirigido por José Sócrates, que PSD e CDS tanto tinham criticado quando estavam na oposição. Compreende-se assim porque desconfiam os cidadãos dos jogos partidocráticos, ao ponto de deixarem de participar na vida política do País, já que, diz-se, "eles são todos os mesmos".
Seja como for, o importante é que foi tomada uma decisão e por isso fazemos votos para que este novo figurino administrativo seja benéfico para os museus e, no que diz respeito ao MNA, ultrapassada que está a ameaça de transferência para a Cordoaria Nacional, possa ele potenciar mais a actividade do "nosso" museu.



quinta-feira, 19 de abril de 2012

Elisio Summavielle reconhece que a transferência do MNA para a Cordoaria Nacional não se vai concretizar

Em declarações à imprensa durante as comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (18 de Abril), o designado Diretor-Geral do Património Cultural, anterior Secretário de Estado da Cultura e grande mentor do projecto de transferência do MNA para a Cordoaria Nacional, acaba de reconhecer que afinal nada se vai fazer.

Disse nomeadamente:

Quanto ao projecto da mudança do Museu Nacional de Arqueologia para a Cordoaria Nacional, na Junqueira, em Lisboa, os estudos do projecto estão prontos, indicou, «mas neste momento não há disponibilidade financeira para a mudança».

Já nem vale a pena exigir os tais estudos que nunca ninguém viu e que tudo indica não existirem. Não é possível pedir o impossível ao senhor Summavielle. Basta-nos no entanto o principal, que é ser ele mesmo a ter de reconhecer que nada se vai fazer.

Continuaremos atentos.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Fez-se justiça !!!!

Costuma dizer-se que mais vale tarde do que nunca e é este o caso. Segundo informam os jornais e o próprio Dr. Luís Raposo confirmou, o senhor Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, deferiu o recurso hierárquico apresentado pelo Ditrector do MNA, no qual era pedida a anulação dos despachos de não recondução e consequente recondução no cargo.
Trata-se de uma decisão que honra quem a praticou. Fez-se justiça.
Manter-nos-emos atentos, em defesa do MNA e do seu director.