Terça-feira, 6 de Março de 2012
Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
Domingo, 29 de Janeiro de 2012
"Uma personalidade tão multifacetada como esta, com capacidade de liderança, faz falta a Portugal" - diz a AEAT a propósito do Dr. Luís Raposo
Não reagimos acto-contínuo à notícia que há cerca de uma semana informava da não recondução de Luís Raposo (LR) como Director do Museu Nacional de Arqueologia.
Mas não podíamos deixar de testemunhar neste caso pelos menos por tês razões: por amizade; pelo facto de LR ser nosso filiado embora esta razão seja menor e não deva ser interpretada como corporativa, um conceito que parece ser hoje mais representativo do que no Estado Novo); e principalmente pelo reconhecimento do estatuto de LR como profissional e cidadão notável.
É isso que fazemos agora, com a vantagem de termos lido o testemunho publicado por LR no dia 21 de Janeiro, num jornal diário de expansão nacional, num texto que ilumina algumas explicações do estado das coisas.
Julgamos merecer amplo consenso a noção que o exercício de cargos públicos não se deve eternizar. Também concordaremos de modo alargado que, num Estado de Direito, e numa sociedade dita democrática, os fundamentos das decisões devem ser objectivamente expressos (por dever e coragem), o que segundo LR não aconteceu.
Os 16 anos de LR como director do Museu Nacional de Arqueologia foram repletos de iniciativas e de sucessos, desde logo com o reforço do papel social do MNA e o aumento da quota de visitantes. Em condições normais (que não são as actuais) poderia considerar-se a não-recondução como o fechar de um ciclo e o atingimento maturado de um mandato.
Contudo, LR não tem sido apenas um bom funcionário e dirigente da administração pública, neste caso um director marcante do MNA, tão variadas são as suas qualificações, demonstradas ao longo dos últimos 40 anos, na investigação científica, na museologia, na divulgação, no associativismo, no ensino e no debate público sobre a coisa política. Diríamos que uma personalidade tão multifacetada com esta, com capacidade de liderança, faz falta a Portugal.
Ora o que aguardamos com vivo interesse são os próximos desenvolvimentos das decisões político-administrativas na área a Cultura. Porque acreditamos que, para decisores minimamente informados (algo muito fácil na sociedade aberta de hoje, em que o segredo só existe nas questões de defesa nacional e pouco mais…), fácil será concluir e de modo inteligente, que uma pessoa como LR faz falta na liderança da coisa pública. Alguém disse recentemente que tendo nós menos dinheiro teremos de ser mais inteligentes.
Se tal não acontecer teremos mais um sinal muito preocupante quanto ao nosso futuro como sociedade, talvez concluindo, tristemente, que o Estado português (não a comunidade nacional, o conjunto dos seus cidadãos eleitores) não parece merecer Luís Raposo. E, talvez concluir, com a legitimidade que nos é dada pelas declarações de vários responsáveis do actual Governo, ser este mais um convite para sair(mos) de Portugal.
Associação de Estudos do Alto Tejo
Mas não podíamos deixar de testemunhar neste caso pelos menos por tês razões: por amizade; pelo facto de LR ser nosso filiado embora esta razão seja menor e não deva ser interpretada como corporativa, um conceito que parece ser hoje mais representativo do que no Estado Novo); e principalmente pelo reconhecimento do estatuto de LR como profissional e cidadão notável.
É isso que fazemos agora, com a vantagem de termos lido o testemunho publicado por LR no dia 21 de Janeiro, num jornal diário de expansão nacional, num texto que ilumina algumas explicações do estado das coisas.
Julgamos merecer amplo consenso a noção que o exercício de cargos públicos não se deve eternizar. Também concordaremos de modo alargado que, num Estado de Direito, e numa sociedade dita democrática, os fundamentos das decisões devem ser objectivamente expressos (por dever e coragem), o que segundo LR não aconteceu.
Os 16 anos de LR como director do Museu Nacional de Arqueologia foram repletos de iniciativas e de sucessos, desde logo com o reforço do papel social do MNA e o aumento da quota de visitantes. Em condições normais (que não são as actuais) poderia considerar-se a não-recondução como o fechar de um ciclo e o atingimento maturado de um mandato.
Contudo, LR não tem sido apenas um bom funcionário e dirigente da administração pública, neste caso um director marcante do MNA, tão variadas são as suas qualificações, demonstradas ao longo dos últimos 40 anos, na investigação científica, na museologia, na divulgação, no associativismo, no ensino e no debate público sobre a coisa política. Diríamos que uma personalidade tão multifacetada com esta, com capacidade de liderança, faz falta a Portugal.
Ora o que aguardamos com vivo interesse são os próximos desenvolvimentos das decisões político-administrativas na área a Cultura. Porque acreditamos que, para decisores minimamente informados (algo muito fácil na sociedade aberta de hoje, em que o segredo só existe nas questões de defesa nacional e pouco mais…), fácil será concluir e de modo inteligente, que uma pessoa como LR faz falta na liderança da coisa pública. Alguém disse recentemente que tendo nós menos dinheiro teremos de ser mais inteligentes.
Se tal não acontecer teremos mais um sinal muito preocupante quanto ao nosso futuro como sociedade, talvez concluindo, tristemente, que o Estado português (não a comunidade nacional, o conjunto dos seus cidadãos eleitores) não parece merecer Luís Raposo. E, talvez concluir, com a legitimidade que nos é dada pelas declarações de vários responsáveis do actual Governo, ser este mais um convite para sair(mos) de Portugal.
Associação de Estudos do Alto Tejo
Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
Levanta-se a hipótese macabra da Democracia estar a ser subvertida por poderes ocultos - considera o Prof. Francisco Sande Lemos
Felicito, pela sua frontalidade e clareza, o Luís Raposo.
O texto publicado no Público evidencia que as posições de LR em defesa do MNA contra a política de ex-governantes e dirigentes do governo José Sócrates desencadearam retaliações logo que essas personalidades tiveram oportunidade.
O que é mirabolante é o poder que conservam esses elementos, apesar de ter havido eleições e formado um novo Governo com os partidos que precisamente apoiaram na Assembleia da República o responsável pelo MNA na sua luta contra a política do governo de Sócrates.
Levanta-se assim a hipótese macabra da Democracia estar a ser subvertida por poderes ocultos.
Não se deve brincar com o fogo. Veja-se o exemplo da Hungria. Mais tarde ou mais cedo o povo cansa-se. E nesse caso a União Europeia terá de estender o poder da troika a todos os domínios da sociedade portuguesa.
Apelo pois a que se intervenha, sem medo, exigindo uma clarificação ao poder político. O temor e inacção são maus conselheiros e a crise que vivemos muito se deve à doentia apatia dos portugueses.
Saudações,
Francisco Sande Lemos
O texto publicado no Público evidencia que as posições de LR em defesa do MNA contra a política de ex-governantes e dirigentes do governo José Sócrates desencadearam retaliações logo que essas personalidades tiveram oportunidade.
O que é mirabolante é o poder que conservam esses elementos, apesar de ter havido eleições e formado um novo Governo com os partidos que precisamente apoiaram na Assembleia da República o responsável pelo MNA na sua luta contra a política do governo de Sócrates.
Levanta-se assim a hipótese macabra da Democracia estar a ser subvertida por poderes ocultos.
Não se deve brincar com o fogo. Veja-se o exemplo da Hungria. Mais tarde ou mais cedo o povo cansa-se. E nesse caso a União Europeia terá de estender o poder da troika a todos os domínios da sociedade portuguesa.
Apelo pois a que se intervenha, sem medo, exigindo uma clarificação ao poder político. O temor e inacção são maus conselheiros e a crise que vivemos muito se deve à doentia apatia dos portugueses.
Saudações,
Francisco Sande Lemos
Domingo, 22 de Janeiro de 2012
Radio TSF: Não recondução sem fundamento é ilegal
Da Radio TSF reproduzimos abaixo as breves declarações prestadas pelo Dr. Luís Raposo, nos noticiários do dia 22 de Janeiro de 2012.
Carregue na seta para ouvir as declarações
Como se faz (e desfaz) um Director de Museu
Pela importância que reveste, reproduzimos o artigo de opinião do Dr. Luís Raposo, inserto no Jornal PUBLICO de 21 de Janeiro de 2012. Para ler, para meditar e para atuar em conformidade.
Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
Margarida Ruas, delegada do European Museum Forum em Portugal, defende o "olhar novo" da direcção de Luís Raposo no MNA
A Arqueologia é uma ciência e arte escondidas ou aos “ pedaços”. É de todas a mais difícil de comunicar, sensibilizar e persuadir. Por razões profissionais, ao longo dos anos, visitei vários sítios e museus arqueológicos. Lembro-vos o êxito do MARQ em Alicante mas que nada acrescentou ao que já era realizado em Portugal .porque nenhum, era melhor ou fazia melhor que o Museu de Arqueologia, dirigido pelo Luís Raposo. Exemplar e inspirador. A arqueologia através da sua estratégia provocadora tocou pessoas de todas as idades, o respeito e a admiração do que fomos permitiu-nos construir o nosso EU e a criatividade ensinou-nos a fruir o belo que “os pedaços” contêm. Seleccionar o que de mais importante nos rodeia é puro exercício cultural, que estaremos aptos a alcançar quando sabemos quem somos: como gente, como cidadãos de um País e como seres do universo.
O Luís Raposo conseguiu formar e demonstrar, ensinar e divertir criando um lugar de discussão pura, troca de pensamentos, vivências e afectos consubstanciando a aprendizagem permanente ao longo da vida.
Não se muda uma equipa que funciona bem e quanto mais tempo está, mais sábia se torna porque a gestão do Luís Raposo reenviava-nos permanentemente para um novo olhar sobre as coisas, nunca nos reduziu a visitantes ou espectadores, éramos parte integrante daquela história e de todos os objectos, elementos vivos, agentes de mudança, respeitados inteiramente na nossa idiossincrasia
Keneth Hudson, fundador do European Museum Forum sustentava que após visitarmos um Museu, se nos sentíssemos mais altos, maiores, podíamos estar certos que o Museu era bom.
Sempre me senti maior quando visitava o Museu Nacional de Arqueologia ou assistia às inúmeras actividades que o Luís Raposo desenvolvia. Agradeço-lhe penhoradamente por tudo quanto fez pela inteligentzia Portuguesa e por ter convocado o melhor de nós. Sei que como Presidente do ICOM Portugal continuará a ser arauto do Bem e do Belo.
E todos estaremos atentos, não vá o Museu de Arqueologia ser transferido para dar lugar a um hotel ou a esplanadas de charme.
Cumprimentos amigos
Margarida Ruas Gil Costa
O Luís Raposo conseguiu formar e demonstrar, ensinar e divertir criando um lugar de discussão pura, troca de pensamentos, vivências e afectos consubstanciando a aprendizagem permanente ao longo da vida.
Não se muda uma equipa que funciona bem e quanto mais tempo está, mais sábia se torna porque a gestão do Luís Raposo reenviava-nos permanentemente para um novo olhar sobre as coisas, nunca nos reduziu a visitantes ou espectadores, éramos parte integrante daquela história e de todos os objectos, elementos vivos, agentes de mudança, respeitados inteiramente na nossa idiossincrasia
Keneth Hudson, fundador do European Museum Forum sustentava que após visitarmos um Museu, se nos sentíssemos mais altos, maiores, podíamos estar certos que o Museu era bom.
Sempre me senti maior quando visitava o Museu Nacional de Arqueologia ou assistia às inúmeras actividades que o Luís Raposo desenvolvia. Agradeço-lhe penhoradamente por tudo quanto fez pela inteligentzia Portuguesa e por ter convocado o melhor de nós. Sei que como Presidente do ICOM Portugal continuará a ser arauto do Bem e do Belo.
E todos estaremos atentos, não vá o Museu de Arqueologia ser transferido para dar lugar a um hotel ou a esplanadas de charme.
Cumprimentos amigos
Margarida Ruas Gil Costa
Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
A VERGONHA NA CARA É UM BEM CADA VEZ MAIS ESCASSO
Acho verdadeiramente inqualificável, em relação a quem, com tanta competência e paixão tem defendido causa da Cultura e da Arqueologia, em geral, e a do Museu, em particular, que tão brilhantemente dirigiu ao longo de 16 anos.
Se mais não fez, e fez muito, foi porque não lhe deram os meios pelos quais tanto reclamou. Talvez por isso tenha agora chegado a hora de afastar uma personalidade vertical e incómoda.
Adalberto Alves
(escritor)
Se mais não fez, e fez muito, foi porque não lhe deram os meios pelos quais tanto reclamou. Talvez por isso tenha agora chegado a hora de afastar uma personalidade vertical e incómoda.
Adalberto Alves
(escritor)
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