O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Após dezasseis anos na direcção do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo não foi reconduzido em mais um mandato, sem quaisquer explicações. Não podemos deixar de ligar esta decisão à luta intensa travada para impedir a transferência do MNA para a Fábrica da Cordoaria Nacional, projecto do Estado Novo recuperado durante o último Governo de José Sócrates.

Por isso este blogue passa agora a servir outro objectivo, o da denúncia da infâmia contida na não recondução do actual director do MNA e sobretudo o da reflexão acerca do que quer o País afinal dos seus museus, arquivos, bibliotecas e academias . Podem criaturas menores, pela calada, acoitadas em redes de cumplicidades subterrâneas, pôr e dispor das mais perenes instituições nacionais ?

Junte-se a nós nesta acção de cidadania. Aqui registaremos todas as opiniões, reflexões ou meros comentários que entendam fazer-nos chegar ou possamos recolher na imprensa.


Envie os seus contributos para gdamna@gmail.com

Última Hora: aparentemente, o Dr. Luís Raposo foi novamente reconduzido nas suas funções por despacho do SEC, Francisco José Viegas. Aguardaremos a confirmação e novos desenvolvimentos quanto a este aspecto e quanto ao abandono da transferência do MNA para a Cordoaria Nacional, antes de darmos por concluída a missão cívica deste blogue.

Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Museu Nacional de Arqueologia. Percursos e desafios de uma casa centenária nas construções oitocentistas dos Jerónimos - um livro do Dr. Luís Raposo, uma memória para o futuro

Museu Nacional de Arqueologia. Percursos e desafios de uma casa centenária nas construções oitocentistas dos Jerónimos é o título de um livro da autoria do Dr. Luís Raposo, editado pelo GAMNA, onde se oferece uma narrativa cronológica de momentos significativos da história do Museu, remontando aos antecedentes da primeira metade do Século XIX, quando se procedeu à laicização do Mosteiro dos Jerónimos. São referidas as razões originais que levaram a instalar o MNA neste espaço monumental, bem como as sucessivas tentativas para o afastar do mesmo, desde o período do Estado Novo, há cerca de meio século, quando pela primeira vez a hipótese de transferência para a Cordoaria Nacional foi colocada e logo abandonada. É dado especial relevo aos episódios dos últimos anos sobre esta matéria, terminando a narrativa no livro em Abril de 2012, quando o actual director foi de novo reconduzido no cargo, depois de tentativa gorada para o seu afastamento.

Um livro muito bem ilustrado e documentado, que fica como memória para o futuro. Pedidos de envio podem ser feitos para o GAMNA: mnarq.gamna@imc-ip.pt



Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

"Faz falta um museu dedicado às origens dos portugueses" - diz Elísio Summavielle

Reproduzimos notícia de hoje da LUSA, segundo o DN, acompanhada sugestivamente por imagem de Aljubarrota ou algo idêntico, em que Elísio Summaviella o anterior Secretário de Estado da Cultura do Governo Sócrates e futuro Direto-Geral do Património Cultural do Governo Passos Coelho, diz que para os Jerónimos até poderia ir o que já lá está desde o início, um museu das "origens dos portugueses". Terá mudado de opinião relativamente ao Museu dos Descobrimentos ? Ou o "museu das origens" que agora defende ser criado é apenas mais uma forma de pretender diminuir o MNA - o único museu com colecções capazes de contar as origens etno-arqueológicas portuguesas - assim lhe dêem condições para o efeito ?



O diretor-geral do Património Cultural (DGPC), Elísio Summavielle, defendeu hoje a criação, em Lisboa, de um museu "dedicado às origens dos portugueses, com menos espólio e mais comunicação".


Numa entrevista à agência Lusa a propósito do Dia Internacional dos Museus, que se celebra a 18 de maio, sexta-feira, o responsável considerou que "a falta de um museu que explique quem são os portugueses - as suas origens - é uma lacuna".

"Não falo num museu sobre a língua portuguesa, como existe no Brasil, mas um museu sobre a portugalidade", que pudesse ficar instalado no Mosteiro dos Jerónimos "ou noutro espaço em Lisboa, como a Praça do Comércio".

Sobre o projeto da anterior tutela para transferir o Museu Nacional de Arqueologia do Mosteiro dos Jerónimos para o edifício da Cordoaria, Elísio Summavielle indicou que "está suspenso, devido aos atuais constrangimentos financeiros".

No quadro desse projeto, foram feitos estudos sobre o edifício da Cordoaria Nacional, na avenida da Índia, "que indicaram uma solidez estrutural adequada, mas, neste momento, não se podem gastar 15 milhões de euros para adaptar o espaço ao museu e transferir o espólio de arqueologia".

O projeto envolvia também o Museu de Marinha, instalado nos Jerónimos, mas Elísio Summavielle considera que poderiam ser envolvidas outras tutelas, como a do Turismo.

Sobre outros projetos em curso, reiterou que o novo Museu Nacional dos Coches, um projeto assinado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, "deverá abrir no final de 2013, princípio de 2014".

Quanto ao Museu da Música - como já foi anunciado pelo secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas - deverá ir para Évora, para o Convento de São Bento de Castris, embora a falta de verbas venha a atrasar a sua concretização.

"O espólio do Museu da Música é muito importante e ali, num edifício histórico, terá muito espaço, até para realizar ateliês e 'workshops'", sublinhou o responsável, acrescentando que, quando houver verbas disponíveis, terá condições "para ser um museu exemplar".

Neste momento, o convento está a ser alvo de obras de recuperação, nomeadamente nos telhados.

No âmbito de um acordo com o Metropolitano de Lisboa, o Museu da Música manterá as instalações na estação do Alto dos Moinhos até ao final de 2013, indicou o responsável da DGPC.

Com a aprovação da nova orgânica da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), que tutela 28 museus e cinco palácios nacionais, passa a estar integrado - tal como o IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico), na nova estrutura da DGPC.

De acordo com a nova orgânica, as Direções Regionais de Cultura do Norte, Centro, Alentejo e Algarve vão passar a gerir museus e palácios da rede nacional que estão na sua área geográfica.

O Museu do Abade de Baçal, o Museu Alberto de Sampaio, o Paço dos Duques, o Museu dos Biscainhos, o Museu D. Diogo de Sousa, o Museu de Lamego, o Museu de Etnologia do Porto, o Museu da Terra de Miranda, o Museu de Aveiro, o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, o Museu da Guarda, o Museu da Cerâmica, o Museu José Malhoa, o Museu Etnográfico e Etnológico Dr. Joaquim Manso e o Museu de Évora vão passar para a competência das respetivas Direções Regionais de Cultura.

Sexta-feira, 20 de Abril de 2012

O MNA passa a ser tutelado pela Direçao Geral do Património Cultural

Segundo informa o jornal Público o Conselho de Ministros aprovou a orgânica de uma Direção Geral do Património Cultural que vai passar a tutelar os Museus Nacionais, entre os quais o MNA. A notícia é acompanhada por imagem, aqui reproduzida, que vale mais do que mil palavras.


Ao que parece, o Governo dirigido por Passos Coelho entendeu fazer seu o projecto político do Governo dirigido por José Sócrates, que PSD e CDS tanto tinham criticado quando estavam na oposição. Compreende-se assim porque desconfiam os cidadãos dos jogos partidocráticos, ao ponto de deixarem de participar na vida política do País, já que, diz-se, "eles são todos os mesmos".
Seja como for, o importante é que foi tomada uma decisão e por isso fazemos votos para que este novo figurino administrativo seja benéfico para os museus e, no que diz respeito ao MNA, ultrapassada que está a ameaça de transferência para a Cordoaria Nacional, possa ele potenciar mais a actividade do "nosso" museu.



Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

Elisio Summavielle reconhece que a transferência do MNA para a Cordoaria Nacional não se vai concretizar

Em declarações à imprensa durante as comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (18 de Abril), o designado Diretor-Geral do Património Cultural, anterior Secretário de Estado da Cultura e grande mentor do projecto de transferência do MNA para a Cordoaria Nacional, acaba de reconhecer que afinal nada se vai fazer.

Disse nomeadamente:

Quanto ao projecto da mudança do Museu Nacional de Arqueologia para a Cordoaria Nacional, na Junqueira, em Lisboa, os estudos do projecto estão prontos, indicou, «mas neste momento não há disponibilidade financeira para a mudança».

Já nem vale a pena exigir os tais estudos que nunca ninguém viu e que tudo indica não existirem. Não é possível pedir o impossível ao senhor Summavielle. Basta-nos no entanto o principal, que é ser ele mesmo a ter de reconhecer que nada se vai fazer.

Continuaremos atentos.

Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

Fez-se justiça !!!!

Costuma dizer-se que mais vale tarde do que nunca e é este o caso. Segundo informam os jornais e o próprio Dr. Luís Raposo confirmou, o senhor Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, deferiu o recurso hierárquico apresentado pelo Ditrector do MNA, no qual era pedida a anulação dos despachos de não recondução e consequente recondução no cargo.
Trata-se de uma decisão que honra quem a praticou. Fez-se justiça.
Manter-nos-emos atentos, em defesa do MNA e do seu director.






Domingo, 29 de Janeiro de 2012

"Uma personalidade tão multifacetada como esta, com capacidade de liderança, faz falta a Portugal" - diz a AEAT a propósito do Dr. Luís Raposo

Não reagimos acto-contínuo à notícia que há cerca de uma semana informava da não recondução de Luís Raposo (LR) como Director do Museu Nacional de Arqueologia.
Mas não podíamos deixar de testemunhar neste caso pelos menos por tês razões: por amizade; pelo facto de LR ser nosso filiado embora esta razão seja menor e não deva ser interpretada como corporativa, um conceito que parece ser hoje mais representativo do que no Estado Novo); e principalmente pelo reconhecimento do estatuto de LR como profissional e cidadão notável.
É isso que fazemos agora, com a vantagem de termos lido o testemunho publicado por LR no dia 21 de Janeiro, num jornal diário de expansão nacional, num texto que ilumina algumas explicações do estado das coisas.
Julgamos merecer amplo consenso a noção que o exercício de cargos públicos não se deve eternizar. Também concordaremos de modo alargado que, num Estado de Direito, e numa sociedade dita democrática, os fundamentos das decisões devem ser objectivamente expressos (por dever e coragem), o que segundo LR não aconteceu.
Os 16 anos de LR como director do Museu Nacional de Arqueologia foram repletos de iniciativas e de sucessos, desde logo com o reforço do papel social do MNA e o aumento da quota de visitantes. Em condições normais (que não são as actuais) poderia considerar-se a não-recondução como o fechar de um ciclo e o atingimento maturado de um mandato.
Contudo, LR não tem sido apenas um bom funcionário e dirigente da administração pública, neste caso um director marcante do MNA, tão variadas são as suas qualificações, demonstradas ao longo dos últimos 40 anos, na investigação científica, na museologia, na divulgação, no associativismo, no ensino e no debate público sobre a coisa política. Diríamos que uma personalidade tão multifacetada com esta, com capacidade de liderança, faz falta a Portugal.
Ora o que aguardamos com vivo interesse são os próximos desenvolvimentos das decisões político-administrativas na área a Cultura. Porque acreditamos que, para decisores minimamente informados (algo muito fácil na sociedade aberta de hoje, em que o segredo só existe nas questões de defesa nacional e pouco mais…), fácil será concluir e de modo inteligente, que uma pessoa como LR faz falta na liderança da coisa pública. Alguém disse recentemente que tendo nós menos dinheiro teremos de ser mais inteligentes.
Se tal não acontecer teremos mais um sinal muito preocupante quanto ao nosso futuro como sociedade, talvez concluindo, tristemente, que o Estado português (não a comunidade nacional, o conjunto dos seus cidadãos eleitores) não parece merecer Luís Raposo. E, talvez concluir, com a legitimidade que nos é dada pelas declarações de vários responsáveis do actual Governo, ser este mais um convite para sair(mos) de Portugal.
Associação de Estudos do Alto Tejo

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

A propósito da não renovação da direcção de Luís Raposo no Museu Nacional de Arqueologia - a opinião da Profa. Raquel Henriques da Silva

Levanta-se a hipótese macabra da Democracia estar a ser subvertida por poderes ocultos - considera o Prof. Francisco Sande Lemos

Felicito, pela sua frontalidade e clareza, o Luís Raposo.
O texto publicado no Público evidencia que as posições de LR em defesa do MNA contra a política de ex-governantes e dirigentes do governo José Sócrates desencadearam retaliações logo que essas personalidades tiveram oportunidade.
O que é mirabolante é o poder que conservam esses elementos, apesar de ter havido eleições e formado um novo Governo com os partidos que precisamente apoiaram na Assembleia da República o responsável pelo MNA na sua luta contra a política do governo de Sócrates.
Levanta-se assim a hipótese macabra da Democracia estar a ser subvertida por poderes ocultos.
Não se deve brincar com o fogo. Veja-se o exemplo da Hungria. Mais tarde ou mais cedo o povo cansa-se. E nesse caso a União Europeia terá de estender o poder da troika a todos os domínios da sociedade portuguesa.
Apelo pois a que se intervenha, sem medo, exigindo uma clarificação ao poder político. O temor e inacção são maus conselheiros e a crise que vivemos muito se deve à doentia apatia dos portugueses.
Saudações,
Francisco Sande Lemos