O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Com a publicação da saudação do Dr. Luís Raposo aos Amigos do MNA, do artigo do jornal Publico e da notícia da Antena 1, todos abaixo transcritos, chega ao fim a missão deste blogue independente,
feito por alguns amigos do MNA.

A luta travada nos últimos anos em defesa do MNA, impedindo a sua transferência para a Fábrica da Cordoaria Nacional, foi coroada de êxito.

Ao Dr. Luís Raposo desejamos as maiores venturas na continuação da sua carreira profissional.

Se um dia o MNA voltar a estar em perigo, regressaremos,

porque por agora apenas hibernamos.



quarta-feira, 30 de junho de 2010

Criado “grupo técnico” para elaborar o “Programa de Base” do MNA na Cordoaria... silêncios e ambiguidades, implicações éticas e continuidade do processo judicial de acção popular

Por despacho de 24 de Junho passado do director do IMC, Doutor João Brigola, foi constituído um “grupo técnico” que deverá elaborar um “Plano de Base de acordo com todos os requisitos técnicos, patrimoniais e museológicos previstos na legislação nacional e nas cartas e recomendações internacionais”, no prazo de 180 dias. O referido grupo será presidido pelo director do IMC e composto por: Manuel Bairrão Oleiro, museólogo; Rui Parreria, arqueólogo; Henrique Cayatte, designer; Maranha da Neves, engenheiro civil e geotécnico. Diz-se ainda na despacho que o Programa de Base “compreenderá os diferentes levantamentos e estudos pluridisciplinares, nomeadamente, patrimoniais, arquitectónicos e de engenharia, além do programa museológico, para cuja elaboração serão agregados especialistas de cada uma das áreas”.
Nada se diz no despacho quanto à natureza do mandato do “grupo técnico”, ou seja, se possui latitude de manobra para no limite propor a não transferência do MNA para a Cordoaria Nacional, por razões de segurança, de custos, patrimoniais ou outras – o que equivaleria a reconhecer o carácter não definitivo da opção política tomada. Nada se diz também quanto à natureza dos “levantamentos e estudos”, nomeadamente no que se refere à sua cobertura “pluridisciplinar” e à idoneidade institucional das entidades (mais do que dos especialistas) que serão chamados a subscrevê-los.
Não se dizendo nada disto, parece, pelo contrário instalar-se a ideia de que este “grupo técnico” se destina a executar a opção política previamente tomada.
É também digna de registo a posição de alguns dos seus membros, especialmente quando se dispõem a participar num grupo que visa, entre outras coisas, elaborar o “programa museológico”, sem contar com a participação do director do MNA, a não ser, porventura, na qualidade de "especialista agregado". Para além da desconsideração institucional inerente a este procedimento sem paralelo, trata-se de uma situação eticamente muito curiosa, que deve ser registada para memória futura.

O despacho em referência confirma a indicação que nesse sentido tinha sido dada pelo director do IMC a uma delegação do GAMNA, chefiada pela Presidente, Doutora Jeannette Nolen, recebida a seu pedido em meados de Maio, na sequência da carta que lhe fora endereçada e de que demos notícia neste blogue. Foi no entanto pedida resposta por escrito, que não chegou, até ao presente
Em face desta evolução, que se tem de assumir como posição oficial do IMC, e dada também a ausência de resposta escrita às sucessivas tentativas de obtenção de esclarecimentos quanto às intenções do Ministério da Cultura, é de esperar que os promotores da iniciativa de acção judicial popular contra o Ministério da Cultura considerem agora o seu prosseguimento.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A ministra da Cultura e o Museu Nacional de Arqueologia: descaramento ou autismo ?

As referências feitas ao MNA na recente entrevista da senhora ministra da Cultura continuam a suscitar reacções. Das que nos chegaram, reproduzimos de seguida três:


De João Ribaldo, membro do GAMNA, e dirigido ao Director do Público:

A ministra da Cultura e o Museu Nacional de Arqueologia: descaramento ou autismo ?
Sou um dos mais de 800 membros do Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia e nesta qualidade tenho acompanhado atentamente o problema da transferência do Museu dos Jerónimos para a Cordoaria Nacional. Causa-me profunda revolta a forma como a ministra da Cultura se referiu ao assunto na entrevista que deu o vosso jornal. Diz que o caso não é polémico, que só mobiliza "o director e duas ou três pessoas mais". Pus-me a pensar quem serão estas pessoas. Talvez as anteriores responsáveis pelos museus nacionais, Raquel Henriques da Silva e Simonetta Luz Afonso; ou o anterior ministro Pedro Roseta; ou a maior especialista portuguesa em museologia arqueológica, Adília Alarcão. Mas só aqui já vão mais do que dois ou três. Pensei depois na longa lista de personalidades que nos últimos dois meses marcaram presença no Museu, declarando a maior parte a sua oposição aos planos do ministério: Carlos Fiolhais, Maria Helena da Rocha Pereira, Paula Teixeira da Cruz e tantos outros. Lembrei-me também das acções de solidariedade que envolveram pessoas como Rão Kyao, Ricardo Araújo Pereira, Tiago Flores, Vítor Norte, grupos de teatro, etc. Recordei ainda uma petição que foi entregue em mão à senhora ministra na Assembleia da República (AR) e que tem mais de 1500 assinaturas. E, por falar em AR, veio-me à memória a recente aprovação por unanimidade de todos os partidos da oposição de uma Resolução em que se critica asperamente o Governo e se recomenda que abandone ou pelo menos suspenda este projecto. A que "duas ou três pessoas" se referia a senhora ministra ? Quando se chega ao ponto de nem sequer ter em conta a AR, tratando-a como se fosse uma agremiação recreativa, está tudo dito e não pode augurar-se muito futuro à governação. Só resta esclarecer se estamos perante um caso de mero descaramento pessoal ou de assumido autismo político.


De Paulo Ferrero, do Fórum Cidadania LX, dando conhecimento de e-mail dirigido à jornalista do PÙBLICO Vanessa Rato:

O mais grave é, contudo, o achincalhamento público que a sra. ministra faz dos milhares de pessoas que estão contra o novo museu dos coches, bem como a passagem do MNA para a Cordoaria, para depois dizer que no caso do MAP, aí sim houve um grande movimento, etc., etc.

Num país como o nosso, com Monumentos Nacionais a cair aos bocados, equipamentos culturais, idem, etc., etc. gastarem-se milhões do erário público (porque as verbas do casino são contrapartidas devidas ao Estado e no momento em que saem do casino são dinheiros públicos!) em construir um novo museu para substituir um velho que é "apenas" o melhor museu que temos, só porque há um favor que se tem de fazer a um arquitecto e a um lobby, é obra e só num país de corrompidos!
Gostava de saber o que pensam desta entrevista, por ex., Pedro Roseta, Simonetta Luz-Afonso e Raquel Henriques da Silva personalidades insuspeitas que, em nome do Grupo de Amigos do MNA lideram a oposição à ida do MNA para a Cordoaria, e que também se pronunciaram publicamente e por diversas vezes contra o novo museu dos coches.
Não a quero maçar mais, mas parecem-me um insulto à inteligência, essas declarações da senhora ministra.



Do blogue MUSING ON CULTURE, de Maria Vlachou:
Sobre a entrevista da Ministra
A entrevista da Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, ao jornal Público (ler aqui), no passado dia 25 de Junho, dá notícia de cortes muito significativos na área da cultura, que irão afectar todos os sectores, alguns de forma preocupante (como é o caso da Direcção-Geral das Artes).
Considero que há vários pontos que mereciam ser melhor explicados. Aliás, as reacções de vários agentes culturais, que obrigaram o Ministério a emitir um comunicado no mesmo dia da publicação da entrevista (ler notícia aqui), indicam que tem, aparentemente, havido pouco diálogo e partilha de informações. Todos se mostram solidários, mas não gostam de ser apanhados de surpresa e sentem que deveriam estar mais envolvidos na procura de soluções. Faz sentido.
Na minha opinião, a Ministra da Cultura tem mostrado ser uma pessoa que sabe o que quer, confiante, corajosa e concentrada. Procurou rapidamente informar-se sobre a situação dos vários sectores da área da cultura e tomou iniciativas que iriam dar início a processos que procuram dar respostas a questões pendentes há muito.
Por isso, fico sempre desiludida quando sinto que a Ministra foge às questões que lhe são colocadas e chega até a dar informações pouco precisas ao público em geral. Utiliza, digamos assim, ‘truques’ de político, mas que não funcionam com as pessoas que têm um conhecimento mais profundo do sector e, repito, mantém desinformado o cidadão comum.
Foram dois os pontos na entrevista do passado dia 25 que me causaram este sentimento, ambos relacionados com os museus. Primeiro, quando questionada sobre o processo polémico da transferência do Museu Nacional de Arqueologia.

Não quero acreditar que a Ministra não tenha conhecimento da discordância de grande parte dos profissionais dos museus, da actividade intensa do Grupo de Amigos do Museu de Arqueologia, da discussão acesa no blogue desse mesmo grupo, da declaração da Assembleia-Geral da Comissão Nacional do ICOM (International Council of Museums) que deu origem a uma petição. Todas essas pessoas não se manifestam simplesmente contra a transferência do museu. Manifestam-se contra a transferência enquanto não houver um estudo que garanta que a Cordoaria tenha as condições necessárias para receber uma colecção de extrema importância nacional.
Mas diria mais. Mesmo que fossem apenas duas ou três as pessoas que se manifestam contra a transferência do museu, mesmo que fosse apenas uma, o Director, o facto de se tratar de profissionais da área deveria ser suficiente para a Ministra prestar mais atenção e não procurar minimizar ou ignorar a validade das suas opiniões e acções. Porque o Luís Raposo é um excelente profissional. Porque é uma pessoa de diálogo, que procura o consenso. E porque não está a fazer uma birra. Está a cumprir as suas funções, procurando garantir, em nome de todos nós, as condições para a salvaguarda da colecção do Museu Nacional de Arqueologia.

http://musingonculture-pt.blogspot.com/

domingo, 27 de junho de 2010

Ricardo Araújo Pereira solidário como MNA

A revista INTELLIGENT LIFE do Verão de 2010 (acabada de por em circulação) dedica o tema de primeira página à escolha que Ricardo Araújo Pereira fez do MNA, como "o seu " Museu. Uma coluna especial dentro do texto intitula-se "RAP solidário com o MNA". Será esta mais uma das "duas ou três pessoas" de que falava a senhora ministra da Cultura em recente entrevista ao jornal Público ?




sexta-feira, 25 de junho de 2010

O autismo de uma ministra da Cultura que já não existe

A entrevista à senhora ministra da Cultura colocada no sítio Internet do jornal Público é mais completa do que a versão em papel.
Transcrevemos agora a parte que diz respeito do MNA:
...
Tendo que fazer sacrifícios, há projectos do MC que se vão deixar cair?
Não. Nenhum projecto será afectado ao ponto de não poder prosseguir. Todos estão encaminhados e as verbas previstas em 2010 não põem em causa a sua realização. Vai haver, sim, uma diminuição da capacidade de actuação das instituições independentes e isso preocupa-me.
Uma das iniciativas que se podia pensar cair: o Museu dos Coches, que, face à situação dos museus existentes, foi dado como um “esbanjamento” quando anunciado pelo seu antecessor, José António Pinto Ribeiro.
Temos dito até à exaustão que o Museu dos Coches não é pago pelo MC e sim pelas contrapartidas do Casino. Temos custo zero relativamente ao Museu dos Coches.
As do Casino, não são verbas que se poderiam ser alocar a outros projectos?
Não. Nem passam pelo MC. São como o [Teatro Nacional de] São Carlos, o Dona Maria, o São João. São verbas que vêm do Ministério das Finanças.
A transferência do Museu Nacional de Arqueologia é outro caso.
Esse faz parte do nosso orçamento. As verbas para os estudos que estão a ser feitos são nossa responsabilidade. E não serão afectadas a ponto de não podermos prosseguir na fase em que estão agora.
Apesar de estar a ser um processo extraordinariamente polémico...
Não acho nada. A visibilidade pública da polémica, se virmos com atenção, tem sido motivada por apenas duas ou três pessoas. Não tem uma dimensão grande. É o movimento restrito de um grupo restrito. O facto de ter muita visibilidade nos jornais não significa que seja emanado de uma força civil com significado.
Raramente na cultura as movimentações vêm de grandes forças civis.
Olhe que não. Veja o caso do Museu de Arte Popular. Foi um movimento, esse sim, com uma força muito interessante. No caso da Arqueologia é o director e duas ou três pessoas mais... Mas estamos em fase muito preliminar, que não implicam verbas grandes, pelo que não será um problema.
...

Mais uma vez perguntamos por quem, como, quando está a fazer estudos sobre a transferência do MNA para a Fábrica da Cordoaria Nacional. Quais os autores ? Qual o âmbito ? Quais os prazos ?
Quanto à afirmação de que a transferência não é polémica e só tem a contestação do "director e duas ou três pessoas mais", nem vale a pena comentar. Para já não falar em mais de 1600 pessoas que subscrevem uma petição contra esse projecto e nas tomadas de posições de associações as mais diversas, devemos concluir que a senhora ministra acha que os deputados de todos os partidos, à excepção do PS, que votaram uma Resolução exprimindo as mesmas ideias devem ser "duas ou três pessoas", amigas do director. E que a Assembleia da República deve ser uma espécie de agremiação recreativa.
Quando aqui se chega, quem se desqualifica é o ministro ou ministra de turno que deixa de merecer qualquer consideração. Pode dizer-se que deixou de existir, que já faz parte do passado. Paz à sua alma.

Entrevista da Ministra da Cultura do jornal Público

Na primeira entrevista desde a promulgação do decreto de execução orçamental, com as medidas de contenção do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, há seis meses no cargo, traça o retrato de um ministério com milhares de trabalhadores independentes, muitos intermitentes, sem apoios sociais. São, precisamente, os que mais vão sofrer com a crise e os cortes previstos, reconhece.

P: Entre os sacrifícios, há projectos do MC que vão cair?
R: Não. Todos estão encaminhados.
P: Um caso como o do Museu Nacional de Arqueologia...
R: As verbas para os estudos que estão a ser feitos não serão afectadas a ponto de não podermos prosseguir.
….
25 de Junho de 2010

Explicações adicionais requerem-se e... serão pedidas.
Que estudos estão a ser feitos ? Por quem ? Com que mandato ? Com que prazos ?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O MNA suscita uma cadeia de solidariedade europeia

Conforme anunciado, o Director do MNA, Dr. Luís Raposo, apresentou no passado dia 10 de Junho o MNA – passado, presente e futuro – à comunidade de investigadores e museólogos das áreas envolvidas, na Universidade de Cambridge.
Reunidos sob a figura tutelar de Lord Colin Renfrew, estiveram presentes algumas dezenas de especialistas e convidados para uma recepção que teve lugar no McDonald Institute for Archaeological Research.
A situação actual do MNA e as perspectivas da sua eventual transferência para outras instalações suscitaram grande interesse e motivaram a delineação de uma rede de contactos, de âmbito europeu, tendo em vista a intervenção organizada em defesa do Museu, se tanto se vier a revelar necessário.
Foi acentuado pelos presentes que grande parte do acervo do MNA, e a sua própria existência enquanto instituição mais do que secular, constituem património europeu a que todos se sentem ligados, com especial relevo para os que realizaram já estadias em Lisboa e sempre tiveram no MNA um sólido porto de abrigo.



quarta-feira, 9 de junho de 2010

O Director do MNA em Cambridge, no Dia de Portugal

O Director do MNA, Dr. Luís Raposo, apresentará no McDonald Institute for Archaeological Research, da Universidade de Cambridge, uma comunicação initulada Innovation and tradition in the activity of the Portuguese National Museum of Archaeology, Lisbon, Portugal, no Dia de Portugal, 10 de Junho de 2010.
Recordamos que este convite surgiu na sequência da divulgação internacional dos planos de transferência do MNA para a Fábrica da Cordoaria Nacional e do alarme que tal provocou junto dos meios académicos e profissionais da arqueologia e dos museus.
Do programa de contactos do Dr. Luís Raposo fazem também parte deslocações a diversos museus da capital inglesa.
Informação adicional pode ser obtida no sítio Internet do McDonald Institute: http://www.mcdonald.cam.ac.uk/events/

terça-feira, 1 de junho de 2010

PATRIMÓNIO CULTURAL - MEMÓRIA COMUM: O Culto dos Monumentos, uma ética antiga sempre actual


O ciclo de conversas de fim de tarde do GAMNA encerrou hoje com chave de ouro. Maria Helena da Rocha Pereira e José Cardim Ribeiro apresentaram duas exposições de grande erudição, constituindo cada uma à sua maneira elegias do tempo e das memórias que ele nos deixou.
Maria Helena da Rocha Pereira escolheu três monumentos ou conjuntos monumentais dos mais emblemáticos da Antiguidade Grega - Delfos, Olímpia e Parténon – para nos revelar como neles existe uma corrente quase continua de afeição, que vai desde os seus originais autores até à actualidade.
José Cardim Ribeiro situou-se no Renascimento, tendo o agros olissiponense e mais precisamente o município sintrense como centro d e uma Finisterra onde o Sol e o Oceano se fundem, como sugestivamente acaba de ser documento em epígrafe acaba de descobrir no antigo santuário do Sol e da Lua, finalmente localizado. Neste cenário, fez-nos participar numa deambulação por pedras com letras, guiados por Mestre Resende, mas onde não faltavam outros eminentes vultos da época.
Em geral, o que resultou desta demanda, foi a de que as memórias antigas se encontram sempre em reescrita e que esta não constitui reserva de académicos, mas é antes um terreno de afirmação de cívico de cidadania.
Foi, aliás, este impulso que mais uma vez uniu todos os presentes na defesa do MNA, situado nos Jerónimos, como enfatizou Maria Helena da Rocha Pereira, tendo sido muito bem recebida a notícia da aprovação pela Assembleia da República de Resolução que exige ao Governo a suspensão de todos os projectos de mudança, abrindo assim espaço a maior e mais esclarecida reflexão.

Aspectos gerais da sessão, presidida por Maria do Sameiro Barroso, da direcção do GAMNA

Maria Helena da Rocha Pereira no uso da palavra.

José Cardim Ribeiro no uso da Palavra.