O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Após dezasseis anos na direcção do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo não foi reconduzido em mais um mandato, sem quaisquer explicações. Não podemos deixar de ligar esta decisão à luta intensa travada para impedir a transferência do MNA para a Fábrica da Cordoaria Nacional, projecto do Estado Novo recuperado durante o último Governo de José Sócrates.

Por isso este blogue passa agora a servir outro objectivo, o da denúncia da infâmia contida na não recondução do actual director do MNA e sobretudo o da reflexão acerca do que quer o País afinal dos seus museus, arquivos, bibliotecas e academias . Podem criaturas menores, pela calada, acoitadas em redes de cumplicidades subterrâneas, pôr e dispor das mais perenes instituições nacionais ?

Junte-se a nós nesta acção de cidadania. Aqui registaremos todas as opiniões, reflexões ou meros comentários que entendam fazer-nos chegar ou possamos recolher na imprensa.


Envie os seus contributos para gdamna@gmail.com

Última Hora: aparentemente, o Dr. Luís Raposo foi novamente reconduzido nas suas funções por despacho do SEC, Francisco José Viegas. Aguardaremos a confirmação e novos desenvolvimentos quanto a este aspecto e quanto ao abandono da transferência do MNA para a Cordoaria Nacional, antes de darmos por concluída a missão cívica deste blogue.

Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

Entrevista da Ministra da Cultura no JORNAL DE LETRAS


Será optimismo nosso ou a Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, tem agora do dossiê da pretendida transferência do Museu Nacional de Arqueologia para a Cordoaria Nacional uma perspectiva mais ponderada do que há meses atrás ? O futuro, que se antevê próximo, o dirá.


NOVOS MUSEUS

E os museus?
Abrimos finalmente o Museu de Arte Popular, embora continuem algumas intervenções na fachada. Está em curso todo o trabalho científico de conteúdos do Museu de Arqueologia, tendo em vista a sua transferência para a Cordoaria.

Que tem causado muita polémica.
É verdade. Mas as polémicas fazem parte da atividade governativa. Sempre que há medidas novas, há posicionamentos diferentes. Entendo-o como o pleno exercício da democracia. O MC tem ouvido atentamente todas as exposições sobre os vários assuntos que têm gerado polémica e decidido sempre em conformidade com uma análise muito séria e conscienciosa de todas as opiniões, mesmo as contrárias. Não acredito numa política feita contra as pessoas e as instituições. Mas há que tomar decisões em nome do interesse público. As comissões científicas estão a trabalhar no sentido de analisar as intervenções técnicas necessárias para essa transferência do Museu de Arqueologia, que não ocorrerá antes de 2012.

E o Museu dos Descobrimentos?
Ou das Descobertas. O nome ainda não está fechado. É uma parceria que fazemos com a Marinha, o que alarga o próprio espetro de intervenção e de financiamento. Será uma celebração da grande epopeia dos portugueses no mundo e que foi feita através do mar e da Marinha. Daí que seja uma parceria mais que oportuna. Estão a decorrer os trabalhos de preparação dos conteúdos desse projeto. Também irão decorrer no próximo ano os trabalhos de reconversão do Convento de S. Bento de Castris, em Évora, para acolher o Museu Nacional da Música e, espero-o, o arquivo sonoro. É um projeto que o governo acalenta...

“Jornal de Letras”, 15 a 28 de Dezembro de 2010

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