O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Após dezasseis anos na direcção do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo não foi reconduzido em mais um mandato, sem quaisquer explicações. Não podemos deixar de ligar esta decisão à luta intensa travada para impedir a transferência do MNA para a Fábrica da Cordoaria Nacional, projecto do Estado Novo recuperado durante o último Governo de José Sócrates.

Por isso este blogue passa agora a servir outro objectivo, o da denúncia da infâmia contida na não recondução do actual director do MNA e sobretudo o da reflexão acerca do que quer o País afinal dos seus museus, arquivos, bibliotecas e academias . Podem criaturas menores, pela calada, acoitadas em redes de cumplicidades subterrâneas, pôr e dispor das mais perenes instituições nacionais ?

Junte-se a nós nesta acção de cidadania. Aqui registaremos todas as opiniões, reflexões ou meros comentários que entendam fazer-nos chegar ou possamos recolher na imprensa.


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Última Hora: aparentemente, o Dr. Luís Raposo foi novamente reconduzido nas suas funções por despacho do SEC, Francisco José Viegas. Aguardaremos a confirmação e novos desenvolvimentos quanto a este aspecto e quanto ao abandono da transferência do MNA para a Cordoaria Nacional, antes de darmos por concluída a missão cívica deste blogue.

Segunda-feira, 19 de Julho de 2010

Museu de Marinha: governo afina pormenores em protocolo adicional

Segundo noticia o Jornal i, com base em resumo fornecido pela agência LUSA, decorreu hoje uma sessão daquelas que os conhecedores da história se habituaram há muito a associar aos sucessivos fins de regime. Um verdadeiro baile de máscaras:

Os “pormenores” da expansão do Museu de Marinha para o atual espaço ocupado pelo Museu Nacional de Arqueologia (MNA), que será transferido para a Cordoaria Nacional, foram firmados hoje num protocolo entre as diferentes tutelas governamentais.
Os ministros da Defesa e da Cultura, respetivamente Augusto Santos Silva e Gabriela Canavilhas, e o secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Costa Pina, pelo ministério das Finanças e da Administração Pública, assinaram no Museu de Marinha, um “protocolo adicional” ao protocolo assinado em maio último.
Questionada pela Lusa sobre o que não tinha sido especificado no anterior protocolo que levou à assinatura do novo documento, a ministra da Cultura afirmou: “Questões de pormenor, e especificar qual seria o destino do lugar que fica vago com a futura saída do MNA”.
O ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, adiantou que o novo texto especifica os termos em que o Ministério da Cultura assegura o financiamento dos projetos museográfico e museológico, enquanto ao da Defesa caberá a manutenção e actividade.
No seu discurso, Gabriela Canavilhas anunciou que o projeto para o Museu de Marinha, com um “narrativa certa no lugar certo”, é “criar um espaço museológico vibrante, interativo e renovável”.
A ministra afirmou que o renovado Museu de Marinha “contribuirá para o conhecimento do passado e do presente da nossa identidade coletiva”.
Referindo-se ao novo MNA, cuja abertura “nunca será antes de finais de 2012”, na Cordoaria Nacional, a governante disse que se está “a valorizar a arqueologia nacional”.
Questionada sobre os custos da operação, Gabriela Canavilhas afirmou: “Estão a ser dados todos os passos no sentido da preparação do caderno de encargos e tudo isto é feito com cálculos que são antecipadamente previstos”.
“Números finais só mais tarde os podemos dar”, respondeu, assegurando que “cada passo é metodicamente calculado”.
A renovação do Museu de Marinha insere-se no Plano Estratégico – Museus para o século XXI, apresentado pelo Instituto dos Museus e da Conservação no início do ano.
Referindo-se à zona ribeirinha de Santos até Belém, Canavilhas afirmou que "necessitava de ser repensada e revisitada, numa perspetiva de integração e reordenamento cultural".
Quanto ao renovado Museu de Marinha, a comissão técnico-científica que o protocolo adicional hoje assinado contempla, irá propor “o guião, o programa, os conteúdos e a narrativa, a partir do se passará à fase seguinte de elaboração de projetos específicos” começará a trabalhar em setembro, acrescentou.
A comissão será liderada pelo atual diretor do Museu, comandante Rodrigues Pereira, e terá ainda dois outros elementos da parte cultural das Forças Armadas, enquanto por parte da Cultura farão parte os historiadores Francisco Bettencourt e Mafalda Soares da Cunha.

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