O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Após dezasseis anos na direcção do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo não foi reconduzido em mais um mandato, sem quaisquer explicações. Não podemos deixar de ligar esta decisão à luta intensa travada para impedir a transferência do MNA para a Fábrica da Cordoaria Nacional, projecto do Estado Novo recuperado durante o último Governo de José Sócrates.

Por isso este blogue passa agora a servir outro objectivo, o da denúncia da infâmia contida na não recondução do actual director do MNA e sobretudo o da reflexão acerca do que quer o País afinal dos seus museus, arquivos, bibliotecas e academias . Podem criaturas menores, pela calada, acoitadas em redes de cumplicidades subterrâneas, pôr e dispor das mais perenes instituições nacionais ?

Junte-se a nós nesta acção de cidadania. Aqui registaremos todas as opiniões, reflexões ou meros comentários que entendam fazer-nos chegar ou possamos recolher na imprensa.


Envie os seus contributos para gdamna@gmail.com

Última Hora: aparentemente, o Dr. Luís Raposo foi novamente reconduzido nas suas funções por despacho do SEC, Francisco José Viegas. Aguardaremos a confirmação e novos desenvolvimentos quanto a este aspecto e quanto ao abandono da transferência do MNA para a Cordoaria Nacional, antes de darmos por concluída a missão cívica deste blogue.

Terça-feira, 20 de Julho de 2010

Protocolo: Canavilhas contra recomendação da assembleia

Para que fique registada, transcreve-se a notícia de hoje do Correio da Manhã. Será útil futuramente. Tal como agora o são os recortes que levavam outra ministra a fazer orelhas moucas aos protestos contra a extinção do Museu de Arte Popular e a louvar a criação de um novo Museu da Lúngua...

Ministra ignora conselho

Por: Ana Maria Ribeiro


Apesar da recomendação da Assembleia da República (AR) – que tinha apelado à suspensão da transferência do Museu da Arqueologia para a Cordoaria Nacional –, a ministra da Cultura anunciou ontem que o espólio do museu vai mesmo sair de Belém, onde se encontra actualmente, e onde deverá ser substituído por um novo pólo museológico, dedicado aos Descobrimentos Portugueses.


"As recomendações da AR são sempre muito úteis, mas quem governa é o Governo", disse Gabriela Canavilhas, pouco depois da assinatura do protocolo que permite todas as mudanças e que envolve, além do Ministério da Cultura, os ministérios da Defesa e das Finanças.
As verbas envolvidas são, para já, tabu, mas ficou a saber-se quem vai pagar a transferência e a reestruturação do Museu da Marinha.
"A Cultura paga os custos dos projectos, a Defesa paga a manutenção e actividade dos núcleos museológicos", explicou Santos Silva, ministro da Defesa Nacional.
Para já, foi nomeada uma Comissão, que começa a trabalhar em Setembro próximo e que terá o prazo de 180 dias para elaborar os projectos na sua especificidade. Deverá, inclusivamente, "propor soluções de auto-financiamento" para os ditos museus, adiantou Augusto Santos Silva. Ao que Gabriela Canavilhas acrescentou que "só então serão conhecidas as verbas envolvidas num processo necessariamente demorado". "As obras nunca deverão estar concluídas antes de 2012", afirmou.

0 comentários:

Enviar um comentário