O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Após dezasseis anos na direcção do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo não foi reconduzido em mais um mandato, sem quaisquer explicações. Não podemos deixar de ligar esta decisão à luta intensa travada para impedir a transferência do MNA para a Fábrica da Cordoaria Nacional, projecto do Estado Novo recuperado durante o último Governo de José Sócrates.

Por isso este blogue passa agora a servir outro objectivo, o da denúncia da infâmia contida na não recondução do actual director do MNA e sobretudo o da reflexão acerca do que quer o País afinal dos seus museus, arquivos, bibliotecas e academias . Podem criaturas menores, pela calada, acoitadas em redes de cumplicidades subterrâneas, pôr e dispor das mais perenes instituições nacionais ?

Junte-se a nós nesta acção de cidadania. Aqui registaremos todas as opiniões, reflexões ou meros comentários que entendam fazer-nos chegar ou possamos recolher na imprensa.


Envie os seus contributos para gdamna@gmail.com

Última Hora: aparentemente, o Dr. Luís Raposo foi novamente reconduzido nas suas funções por despacho do SEC, Francisco José Viegas. Aguardaremos a confirmação e novos desenvolvimentos quanto a este aspecto e quanto ao abandono da transferência do MNA para a Cordoaria Nacional, antes de darmos por concluída a missão cívica deste blogue.

Terça-feira, 1 de Junho de 2010

PATRIMÓNIO CULTURAL - MEMÓRIA COMUM: O Culto dos Monumentos, uma ética antiga sempre actual


O ciclo de conversas de fim de tarde do GAMNA encerrou hoje com chave de ouro. Maria Helena da Rocha Pereira e José Cardim Ribeiro apresentaram duas exposições de grande erudição, constituindo cada uma à sua maneira elegias do tempo e das memórias que ele nos deixou.
Maria Helena da Rocha Pereira escolheu três monumentos ou conjuntos monumentais dos mais emblemáticos da Antiguidade Grega - Delfos, Olímpia e Parténon – para nos revelar como neles existe uma corrente quase continua de afeição, que vai desde os seus originais autores até à actualidade.
José Cardim Ribeiro situou-se no Renascimento, tendo o agros olissiponense e mais precisamente o município sintrense como centro d e uma Finisterra onde o Sol e o Oceano se fundem, como sugestivamente acaba de ser documento em epígrafe acaba de descobrir no antigo santuário do Sol e da Lua, finalmente localizado. Neste cenário, fez-nos participar numa deambulação por pedras com letras, guiados por Mestre Resende, mas onde não faltavam outros eminentes vultos da época.
Em geral, o que resultou desta demanda, foi a de que as memórias antigas se encontram sempre em reescrita e que esta não constitui reserva de académicos, mas é antes um terreno de afirmação de cívico de cidadania.
Foi, aliás, este impulso que mais uma vez uniu todos os presentes na defesa do MNA, situado nos Jerónimos, como enfatizou Maria Helena da Rocha Pereira, tendo sido muito bem recebida a notícia da aprovação pela Assembleia da República de Resolução que exige ao Governo a suspensão de todos os projectos de mudança, abrindo assim espaço a maior e mais esclarecida reflexão.

Aspectos gerais da sessão, presidida por Maria do Sameiro Barroso, da direcção do GAMNA

Maria Helena da Rocha Pereira no uso da palavra.

José Cardim Ribeiro no uso da Palavra.

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