O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO
Após dezasseis anos na direcção do Museu Nacional de Arqueologia, Luís Raposo não foi reconduzido em mais um mandato, sem quaisquer explicações. Não podemos deixar de ligar esta decisão à luta intensa travada para impedir a transferência do MNA para a Fábrica da Cordoaria Nacional, projecto do Estado Novo recuperado durante o último Governo de José Sócrates.
Por isso este blogue passa agora a servir outro objectivo, o da denúncia da infâmia contida na não recondução do actual director do MNA e sobretudo o da reflexão acerca do que quer o País afinal dos seus museus, arquivos, bibliotecas e academias . Podem criaturas menores, pela calada, acoitadas em redes de cumplicidades subterrâneas, pôr e dispor das mais perenes instituições nacionais ?
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Domingo, 22 de Janeiro de 2012
Como se faz (e desfaz) um Director de Museu
Pela importância que reveste, reproduzimos o artigo de opinião do Dr. Luís Raposo, inserto no Jornal PUBLICO de 21 de Janeiro de 2012. Para ler, para meditar e para atuar em conformidade.
Foi com surpresa e indignação que recebemos a notícia de que Luís Raposo não havia sido reconduzido na direcção do Museu Nacional de Arqueologia. Com surpresa porque o Estado não invocou uma só razão que pudesse servir ao menos para tentar fundamentar o facto. Com indignação porque também não lhe negou o mérito profissional enquanto director.
Que futuro queremos para os museus nacionais? Que futuro para as instituições em que se guarda a memória histórica da nação?
Olhamos para trás e recordamos os nomes de Possidónio da Silva, Martins Sarmento, Leite de Vasconcelos, Vergílio Correia, Reynaldo dos Santos, José de Figueiredo, João Couto e muitos mais, entre toda uma plêiade de precursores e de directores de museus de notável mérito. Mas alguém se lembra quem eram os directores-gerais, secretários de Estado ou até ministros dessas alturas? Certamente ninguém.
A não recondução de Luís Raposo como director ultrapassa em muito a pessoa e o acontecimento em si. É certo que estamos perante alguém que fez tanto pelo nosso museu, pelo património e pela cultura portuguesa em geral que ganhou o direito a figurar em honrosa lista, a par dos seus antecessores.
O que perguntamos é que País queremos, e que País estamos a construir. Quais são as novas orientações políticas que justificam o afastamento de quem tem atrás de si obra tão meritória e sempre se pautou por uma frontalidade e uma verticalidade que o honram e nos engrandecem colectivamente? Quem é o pequeno deus caseiro que decide a duração dos mandatos directivos em instituições onde se deveria prezar a estabilidade e deveriam estar ao abrigo de flutuações de governação corrente?
O que aconteceu a Luís Raposo aconteceu a todos nós e leva-nos a questionar a transparência de processos de decisão do Estado e a ética dos seus actores, ofendendo o nosso sentido de justiça e de reconhecimento do mérito.
Caso o iníquo despacho de não recondução de que Luís Raposo foi alvo não seja administrativa ou judicialmente revogado, pedimos-lhe então que ele não desista e que concorra novamente ao mesmo lugar para o qual está mais do que habilitado.
A Direcção do Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia.
16 de Janeiro de 2012
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