O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Com a publicação da saudação do Dr. Luís Raposo aos Amigos do MNA, do artigo do jornal Publico e da notícia da Antena 1, todos abaixo transcritos, chega ao fim a missão deste blogue independente,
feito por alguns amigos do MNA.

A luta travada nos últimos anos em defesa do MNA, impedindo a sua transferência para a Fábrica da Cordoaria Nacional, foi coroada de êxito.

Ao Dr. Luís Raposo desejamos as maiores venturas na continuação da sua carreira profissional.

Se um dia o MNA voltar a estar em perigo, regressaremos,

porque por agora apenas hibernamos.



domingo, 29 de janeiro de 2012

"Uma personalidade tão multifacetada como esta, com capacidade de liderança, faz falta a Portugal" - diz a AEAT a propósito do Dr. Luís Raposo

Não reagimos acto-contínuo à notícia que há cerca de uma semana informava da não recondução de Luís Raposo (LR) como Director do Museu Nacional de Arqueologia.
Mas não podíamos deixar de testemunhar neste caso pelos menos por tês razões: por amizade; pelo facto de LR ser nosso filiado embora esta razão seja menor e não deva ser interpretada como corporativa, um conceito que parece ser hoje mais representativo do que no Estado Novo); e principalmente pelo reconhecimento do estatuto de LR como profissional e cidadão notável.
É isso que fazemos agora, com a vantagem de termos lido o testemunho publicado por LR no dia 21 de Janeiro, num jornal diário de expansão nacional, num texto que ilumina algumas explicações do estado das coisas.
Julgamos merecer amplo consenso a noção que o exercício de cargos públicos não se deve eternizar. Também concordaremos de modo alargado que, num Estado de Direito, e numa sociedade dita democrática, os fundamentos das decisões devem ser objectivamente expressos (por dever e coragem), o que segundo LR não aconteceu.
Os 16 anos de LR como director do Museu Nacional de Arqueologia foram repletos de iniciativas e de sucessos, desde logo com o reforço do papel social do MNA e o aumento da quota de visitantes. Em condições normais (que não são as actuais) poderia considerar-se a não-recondução como o fechar de um ciclo e o atingimento maturado de um mandato.
Contudo, LR não tem sido apenas um bom funcionário e dirigente da administração pública, neste caso um director marcante do MNA, tão variadas são as suas qualificações, demonstradas ao longo dos últimos 40 anos, na investigação científica, na museologia, na divulgação, no associativismo, no ensino e no debate público sobre a coisa política. Diríamos que uma personalidade tão multifacetada com esta, com capacidade de liderança, faz falta a Portugal.
Ora o que aguardamos com vivo interesse são os próximos desenvolvimentos das decisões político-administrativas na área a Cultura. Porque acreditamos que, para decisores minimamente informados (algo muito fácil na sociedade aberta de hoje, em que o segredo só existe nas questões de defesa nacional e pouco mais…), fácil será concluir e de modo inteligente, que uma pessoa como LR faz falta na liderança da coisa pública. Alguém disse recentemente que tendo nós menos dinheiro teremos de ser mais inteligentes.
Se tal não acontecer teremos mais um sinal muito preocupante quanto ao nosso futuro como sociedade, talvez concluindo, tristemente, que o Estado português (não a comunidade nacional, o conjunto dos seus cidadãos eleitores) não parece merecer Luís Raposo. E, talvez concluir, com a legitimidade que nos é dada pelas declarações de vários responsáveis do actual Governo, ser este mais um convite para sair(mos) de Portugal.
Associação de Estudos do Alto Tejo

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