O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Com a publicação da saudação do Dr. Luís Raposo aos Amigos do MNA, do artigo do jornal Publico e da notícia da Antena 1, todos abaixo transcritos, chega ao fim a missão deste blogue independente,
feito por alguns amigos do MNA.

A luta travada nos últimos anos em defesa do MNA, impedindo a sua transferência para a Fábrica da Cordoaria Nacional, foi coroada de êxito.

Ao Dr. Luís Raposo desejamos as maiores venturas na continuação da sua carreira profissional.

Se um dia o MNA voltar a estar em perigo, regressaremos,

porque por agora apenas hibernamos.



terça-feira, 18 de maio de 2010

Tradição e inovação: um terreno de tensão criativa

Em mais uma conversa de fim de tarde, José Miguel Júdice e Luís Serpa trocaram impressões sobre o tema “Tradição, Inovação e (nova) Economia da Cultura”.  Tratou-se de uma sessão notável em que se contrapuseram dois olhares diferenciado e por isso muito estimulantes do debate.
José Miguel Júdice, jurista eminente e promotor de várias intervenções de valorização e refuncionalização em bens patrimoniais, referiu-se ao que chamou as “quatro placas tectónicas” do património: o respeito pela tradição ou autenticidade, a importância da captação de públicos, a adaptação a novos usos e o processo criativo inerente às transformações consideradas necessárias. Trata-se de dimensões que se encontram em tensão permanente e passam por diferentes estratégias de intervenção: reabilitação, reconstrução, restauro, reabilitação. José Miguel Júdice referiu-see em especial, dando exemplos bons e exemplos maus, ao que considerou serem “traumatismos” e “dissonâncias” com as envolvências dos lugares. No conjunto defendeu uma postura de contenção, de modéstia até, sempre que se trate de valores patrimoniais – o que de modo nenhum é incompatível com a modernidade.
Luís Serpa, curador e gestor de projectos culturais, apresentou perspectiva diversa, que pretendeu constituir uma intencional divergência de pontos de vista. Defendeu sobremaneira o pulsar criativo de todos os intervenientes no processo de fruição patrimonial, com especial relevo para o papel do arquitecto e da arquitectura. A existência de tensões constitui condição do progresso e considerou que se deve caminhar de uma concepção hierárquica, piramidal de intervenção, onde as construções abstractas de política e de gosto (ou de ambos) ditam as normas, para uma nova articulação mais horizontal entre todas as disciplinas, numa óptica vincadamente criativa.
A questão dos museus de Belém foi referida por ambos os intervenientes e por alguns dos presentes durante o debate que se seguiu. José Miguel Júdice teve ocasião de explicar as circunstâncias concretas em que interveio no processo do novo Museu dos Coches – um tema em que as posições divergentes acabaram afinal por conduzir à sua maior aproximação ao mundo dos museus e dos seus profissionais. Quanto à Cordoaria Nacional, foi salientada a sua natureza própria e o provável mau uso patrimonial que constituirá a instalação do MNA no local.

Mesa da sessão, moderada por Pedro Roseta.

José Miguel Júdice no uso da palavra.

Luís Serpa no uso da palavra.

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