O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Com a publicação da saudação do Dr. Luís Raposo aos Amigos do MNA, do artigo do jornal Publico e da notícia da Antena 1, todos abaixo transcritos, chega ao fim a missão deste blogue independente,
feito por alguns amigos do MNA.

A luta travada nos últimos anos em defesa do MNA, impedindo a sua transferência para a Fábrica da Cordoaria Nacional, foi coroada de êxito.

Ao Dr. Luís Raposo desejamos as maiores venturas na continuação da sua carreira profissional.

Se um dia o MNA voltar a estar em perigo, regressaremos,

porque por agora apenas hibernamos.



quarta-feira, 14 de abril de 2010

Argumentos a respeito da questão dos inconvenientes da adaptação e instalação do Museu de Arqueologia na Cordoaria.

Para além do que se tem dito, existem outros argumentos a respeito da questão dos inconvenientes da adaptação e instalação do Museu de Arqueologia na Cordoaria, que se balizam no valor do património industrial (património mal querido em Portugal, por sucessivos governos, que continuam a dar somente importância aos patrimónios clássicos, ainda por cima mal assimilados.
Por outro lado, as colecções do Museu de Arqueologia necessitam de ser integradas em condições muito especiais no interior do monumento e não há possibilidade, mesmo um bom projecto de arquitectura (porventura assinado pelo melhor arquitecto mundial) conseguir realizar a junção dos valores inerentes à museologia, à arqueologia de várias épocas (integrando mesmo a arqueologia industrial) com a defesa estrita e especial que o património industrial põe a nu no edifício da cordoaria.
Na realidade trata-se de um edifício cujo modelo pode encontrar-se na era das manufacturas e especialmente devido ao programa industrial do absolutismo mercantilista de Colbert que depois teve eco em vários países, nomeadamente em Portugal nos reinados de D. João V e D. José I. Naquele tempo era necessário meter e moldar o fabrico de cordame dos espaços abertos para o interior de edifícios e, por essa razão, a nossa cordoaria revela um pequeno pé direito, tem uma sequência impressionante de asnas à francesa que dão relevo ao modelo arquitectónico escolhido. Por outro são alas e tem entre elas saguões abertos, que a serem fechados (para criar espaços para o museu de arqueologia) transformam a cordoaria num edifício vulgar. Note-se que está classificado como monumento nacional pelo património e arquitectura industrial que revela ainda (mas sem o património integrado que o Museu da Marinha e os seus pouco esclarecidos directores, foram removendo, removendo, contra as próprias decisões inerentes a essa salvaguarda (apoiados é certo em falta de ciência do IPPAR / IGESPAR).
Por isso o principal argumento de combate à idiossincrasia ministerial e sobretudo dos conselheiros que envolvem a Ministra, é o argumento desenvolvido do património industrial e da perda patrimonial que irá necessariamente ocorrer com a adaptação da cordoaria a museu de arqueologia.
Aliás, este argumento nem sequer está estafado, pois os prós e os contras estão na questão das condições sísmicas, hidrológicas e da natureza dos terrenos onde assenta a cordoaria. Por outro lado, ninguém falou até agora da construção da cordoaria sobre estacaria de madeira. Nem ainda vi ninguém referir que junto à cordoaria vai entrar um túnel para albergar a entrada do nó ferroviário de Alcântara, túnel que irá pressupor trabalhos de arqueologia subaquática, veja lá, quanto estamos perto das bacias hidrográficas e das praias fluviais, quando falamos de cordoaria nacional. 
Assim eu defendo - Museu da Marinha para a Cordoaria (lugar ideal e com exemplos consagrados na Europa). Museu do Espaço Português no Mundo no Anexo do Mosteiro dos Jerónimos. Museu de Arqueologia um novo museu de raiz, para saber integrar os conceitos, as práticas e os novos patrimónios da arqueologia.

Jorge Custódio

Sem comentários:

Enviar um comentário