O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Com a publicação da saudação do Dr. Luís Raposo aos Amigos do MNA, do artigo do jornal Publico e da notícia da Antena 1, todos abaixo transcritos, chega ao fim a missão deste blogue independente,
feito por alguns amigos do MNA.

A luta travada nos últimos anos em defesa do MNA, impedindo a sua transferência para a Fábrica da Cordoaria Nacional, foi coroada de êxito.

Ao Dr. Luís Raposo desejamos as maiores venturas na continuação da sua carreira profissional.

Se um dia o MNA voltar a estar em perigo, regressaremos,

porque por agora apenas hibernamos.



quinta-feira, 1 de abril de 2010

Mais uma vez, os museus de Lisboa

Tomo conhecimento através da comunicação social de uma petição em defesa do museu nacional de arqueologia. Assino e recebo mais informação no blogue dos amigos do museu de arqueologia: http://gamna.blogspot.com/

Afinal, como diz a canção, havia outra razão. O ministério da cultura precisa de arranjar espaço para deslocar as instalações e os armazéns que tem no terreno onde começou a construção do novo museu dos coches. E a sua ideia é fazê-lo para a Cordoaria, juntamente com o museu de arqueologia.

Compreende-se a indignação do diretor do museu e colaboradores.

A propósito, uma reflexão: o diretor do museu foi nomeado após concurso público; a senhora ministra foi nomeada sem concurso pelo senhor primeiro ministro que declarou publicamente que na anterior legislatura tinha dedicado pouca atenção à cultura, do que se arrependia. Traduzindo em linguagem coloquial: o senhor primeiro ministro não tem preparação cultural para traçar nem validar uma política cultural. Naturalmente que tem legitimidade para nomear a senhora ministra da cultura. Assim como eu tenho legitimidade para comparar o direito divino de Bossuet a este direito divino que confere a um senhor primeiro ministro confessadamente a leste da cultura e a uma senhora ministra nomeada sem concurso nem consulta pública o poder de comprometer por muitos anos os museus de Lisboa.

Do ponto de vista técnico de construção, a adaptação do edifício da Cordoaria será sempre mais complicada do que a construção de raiz. Embora se possa fazer, incluindo o reforço dos terrenos contra os riscos sísmicos e de liquefação de solos e o reforço da edificação (aliás, razões por que seria mais fácil construir de raiz).

Fica entretanto um cidadão como eu na dúvida por falta de informação:

- se o problema é de espaço, não seria mais lógico ser o museu da Marinha a expandir-se (não digo abandonar todas as atuais instalações) para a Cordoaria ou para outro local?

- não seria melhor resolver de forma integrada, através de um plano de expansão faseada, os problemas de todos os museus de Lisboa, inclundo o de arte antiga que está espartilhado e tem grandes dificuldades de estacionamento?

- não podem ser consideradas hipóteses, de novas localizações das expansões de museus, os terrenos a norte do Palácio de Belém, que também são do Estado e, eventualmente, algumas instalações militares da Calçada da Ajuda?

- estão os decisores da coisa pública conscientes das extremas limitações das condições de acessibilidade e de estacionamento que as expansões dos museus irão encontrar? (já neste momento se verificam graves dificuldades de transporte, de circulação e estacionamento na zona dos Jerónimos; e uma quase impossibilidade no museu de arte antiga) ; estes problemas só se resolvem com silos-auto e com novas linhas de metro…

Gostaria ainda de refletir sobre os riscos de maremoto. De acordo com os registos da época, a praia dos Jerónimos foi poupada ao maremoto de 1755. Este é ainda hoje um mistério para os nossos especialistas e poderá estar relacionado com as condições de maré e de regolfos no mar da palha. No entanto, analisando a carta da foz do Tejo, verifica-se que uma onda de sudoeste devida ao terramoto na falha sísmica de Gorringe entra facilmente na barra, reflete-se e é defletida na baia de Oeiras pela praia de Algés e de Pedrouços sobre a margem sul em Almada e dai reflete-se sobre o Terreiro do Paço. A praia dos Jerónimos fica protegida.

Tudo isto, espera-se, deverá estar a ser estudado pela Administração da Região Hidrográfica do Tejo e pelas entidades da Proteção Civil, no âmbito do estudo das áreas de inundação e de risco, tal como definido na lei da água, DL 58/2005 (ver quanto ao programa de atividades: http://www.inag.pt/inag2004/port/a_intervencao/planeamento/pbh/pbh03_tejo/2/volume_1_texto/Memoria_1_F2.pdf

e sobre a definição de zonas inundáveis, o artigo 40 da lei da água: http://www.inag.pt/inag2004/port/divulga/legisla/pdf_nac/Lei%2058_2005.pdf%20 ) .

Seria muito interessante estudar-se o estuário do Tejo como se estudou o Tamisa, equipado com um sistema de proteção contra cheias. No caso do Tejo, o fecho da Golada poderia ser um fator importante na proteção do estuário contra maremotos.

Aguardemos a evolução.

Prof. Doutor Fernando Silva
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/04/mais-uma-vez-os-museus-de-lisboa.html

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