O FUTURO DO MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA EXIGE PONDERAÇÃO E RESPEITO


Com a publicação da saudação do Dr. Luís Raposo aos Amigos do MNA, do artigo do jornal Publico e da notícia da Antena 1, todos abaixo transcritos, chega ao fim a missão deste blogue independente,
feito por alguns amigos do MNA.

A luta travada nos últimos anos em defesa do MNA, impedindo a sua transferência para a Fábrica da Cordoaria Nacional, foi coroada de êxito.

Ao Dr. Luís Raposo desejamos as maiores venturas na continuação da sua carreira profissional.

Se um dia o MNA voltar a estar em perigo, regressaremos,

porque por agora apenas hibernamos.



domingo, 11 de abril de 2010

Director do MNA não está isolado e conta com o vasto apoio da generalidade dos arqueólogos

Com a devida vénia, transcrevemos a opinião do Doutor Francisco Sande Lemos, expressa na lista Archport:

 Os portugueses, aqueles que vivem dos seus salário, têm os impostos em ordem, não escondem o dinheiro em offshores, não facilitam os atropelos da Lei, etc... têm assegurado o Reino do Céus pela sua infinita paciência em aturar políticos que desbaratam os dinheiros públicos, lançam obras absurdas como o Museu dos Coches, propõem-se gastar milhões em transferências de Museus e desdobram-se em intervenções de mera propaganda.
A equipa ministerial da Cultura e a Direcção do IMC tem desafinado de tal modo que mesmo os mais duros de ouvido (como é o meu caso) se ressentem. Como pode o Doutor João Brigola referir 15 milhões de euros para uma eventual adaptação da Cordoaria se não existem os estudos prévios nem os projectos? Pela sua falta de preparação para o lugar devia ser afastado por demagogia e inépcia.
Outro aspecto extraordinário é o da Ministra raciocinar como se a Lei tivesse um único sentido, ou seja apenas do poder em relação aos funcionários (ameaçadas veladas ou directas de processos disciplinares). Na verdade a Ministra está, tal como os funcionários, obrigada a cumprir a Lei. Assim não seria descabido alertar o Ministério Público. Os projectos da Ministério da Cultura podem colocar em risco bens móveis classificados e inventariados, o que vai contra toda uma série de artigos da Lei do Património. O Director do Museu já explicou isso à Ministra e em público. Para que, no meio de tanta casos de ilicitude que inundam a Justiça, não se perca mais este, talvez fosse útil alertar formalmente o Ministério Público para os atropelo legais que se avizinham.
Visto com frieza esta mudança prevista do MNA é um episódio esquizofrénico num país sem dinheiro para assegurar o funcionamento dos serviços básicos que cumprem ao Estado. E no actual contexto de crise financeira é um disparate infantil.
Para que as pessoas avaliam bem o estado a que chegaram a contas do país basta referir que a Câmara Municipal de Braga liderada pelo insólito Mesquita Machado paga por mês, pelo empréstimo de financiamento da construção do Novo Estádio Municipal, a módica quantia de cerca de 380 mil euros e que a obra inicialmente prevista para custar 30 milhões ficou por 120 milhões de euros. Aliás desconhece-se o efectivo custo final pois há inúmeros processos cíveis em curso na sequência de conflitos entre o executivo camarário e construtores.
Aparentemente a Ministra Gabriela Canavilhas quer entrar na mesma galera de perseguidores do Património Arqueológico, ao lado do ilustre Engenheiro de Braga. 
No fundo o que se pede é que haja Bom Senso. Primeiro terminem o Museu do Côa. E depois estudem uma solução para o Museu Nacional de Arqueologia. Faço votos para o que o Dr. Luís Raposo não ceda às pressões do poder político mostrando que os cidadãos respeitadores da Lei e que cumprem os objectivos para que foram nomeados têm óbvia primazia sobre ministros e directores gerais de ocasião que se regem por inspirações políticas conjunturais. O Director do Museu não está isolado e conta com o vasto apoio da generalidade dos arqueólogos.
Francisco Sande Lemos

1 comentário:

  1. O sr. Francisco Sande Lemos está pronto a disparar, contudo dispara inadvertidamente para todos os lados. Por exemplo, junta as responsabilidades do IMC com as do IGESPAR em relação ao Museu do Côa. Desta forma, e apelando à moral, qualquer um pode disparar descontentamentos revestidos de aparente seriedade, mas cujo conteúdo ou é de má fé ou de ignóbil ignorância.

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